Wednesday, March 26, 2014

Conjuntivite - Epidemiologia e Fatores de risco

Conjuntivite - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
As conjuntivites bacterianas agudas e crônicas são os tipos mais comuns de conjuntivite. As conjuntivites
virais, também freqüentes, podem ser causadas por grande variedade de vírus, sendo, geralmente, leves e autolimitadas,
raramente apresentando quadros graves. Todas as riquétsias reconhecidas como patogênicas para o homem podem
causar conjuntivite. As conjuntivites causadas por fungos são raras. Entre as conjuntivites parasitárias, a oncocercíase
é causa comum de cegueira no mundo, secundando o tracoma e a avitaminose A.

Entre as conjuntivites químicas ou irritativas estão as conjuntivites iatrogênicas, causadas por drogas
aplicadas localmente, as conjuntivites ocupacionais decorrentes da exposição a substâncias químicas irritantes e as
conjuntivites por corpo estranho. As conjuntivites ocupacionais podem ser causadas por inúmeros irritantes: ácidos e
álcalis, aerossóis, névoas, vapores de solventes e poeiras em suspensão no ar.
Indivíduos portadores de atopia podem apresentar quadros desencadeados por um ou mais alérgenos,
geralmente em suspensão no ar, entre eles o pólen, o mais comum, produtos animais, fungos não-patológicos, proteínas
vegetais e animais, pêlo, lã, produtos químicos e agrotóxicos.

Conjuntivite - Definição da Doença

Conjuntivite - Definição da Doença

12.3.2 CONJUNTIVITE CID-10 H10

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, que se manifesta por hiperemia e granulações na conjuntiva,
exsudação e lacrimejamento. São descritos mais de 50 quadros de conjuntivites, de acordo com a natureza do processo
(conjuntivite aguda epidêmica, conjuntivite crônica), o mecanismo de ação (conjuntivite atópica ou alérgica), o agente
causal (conjuntivite medicamentosa, conjuntivite química, conjuntivite diftérica), a sintomatologia (conjuntivite catarral
aguda ou crônica, conjuntivite purulenta), o tipo de granulação (conjuntivite folicular, conjuntivite papilar, conjuntivite
papilar gigante) e o grupo acometido (conjuntivite actínica ou conjuntivite dos soldadores).
Por sua localização, a conjuntiva está exposta a numerosos microorganismos e à ação de substâncias
nocivas. Seu principal mecanismo de proteção é o lacrimejamento, que dilui o material infeccioso, lavando os detritos
conjuntivais e restos de organismos para o nariz, reduzindo, assim, a vulnerabilidade. Além disso, a presença de
lisozima, betalisina, IgA e IgE contribui para inibir o crescimento bacteriano.
A conjuntivite é, geralmente, uma doença autolimitada em decorrência da presença da lágrima; abundância
de elementos linfóides; exfoliação epitelial constante; saco conjuntival resfriado pela evaporação da lágrima; ação de
bombeamento do sistema de drenagem lacrimal; envolvimento das bactérias pelo muco conjuntival e excreção.
De modo esquemático, as conjuntivites podem ser classificadas, segundo o mecanismo de produção
da lesão, em:

Tuesday, March 25, 2014

Blefarite - Prevenção

Blefarite - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção da blefarite relacionada ao trabalho consiste na vigilância dos ambientes e processos de
trabalho e dos efeitos ou danos para saúde, conforme descrito na introdução deste capítulo.

As medidas de controle ambiental visam à eliminação ou à redução da exposição, a níveis considerados
seguros, a agentes responsáveis pela ocorrência da doença, como, por exemplo, radiações infravermelha em indústrias
siderúrgicas e em atividades de forja; radiações ionizantes em serviços de saúde e em processos industriais; arsênio
e seus compostos em processos industriais e fundição de ligas metálicas; e cimento na indústria da construção;
reduzindo a incidência da doença nos trabalhadores expostos, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho, se possível utilizando sistemas
hermeticamente fechados;
- normas de higiene e segurança rigorosas, incluindo sistemas de ventilação exaustora adequados e
eficientes, colocação de anteparos e barreiras;
- monitoramento ambiental sistemático;
- formas de organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o
tempo de exposição;
- medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho e facilidades para higiene pessoal, recursos para
banhos, lavagem das mãos, braços, rosto e troca de vestuário. Devem ser garantidos os recursos
adequados para o atendimento de situações de emergência, uma vez que o contato ou respingos de
substâncias químicas nos olhos podem ameaçar a visão, como chuveiros ou duchas lava-olhos em
locais rapidamente acessíveis. Os trabalhadores devem estar treinados para proceder imediatamente
à lavagem dos olhos, com água corrente, por no mínimo cinco minutos, sendo em seguida encaminhados
para avaliação especializada por oftalmologista;
- fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, de modo
complementar às medidas de proteção coletiva, como óculos de segurança.

Blefarite - Tratamento

Blefarite - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
Deve ser precedido da coleta de material local para isolamento microbiano e antibiograma. Medidas gerais
de higiene incluem a limpeza local com cotonete embebido em xampu neutro e água, calor local, pomadas com compostos
de selênio ou mercúrio nas bordas palpebrais e correção de ametropia e heteroforias. Essas medidas são suficientes
para o tratamento da blefarite escamosa ou seborréica e devem ser aplicadas, também, na blefarite ulcerosa,

Monday, March 24, 2014

Blefarite - Quadro clínico e diagnóstico

Blefarite - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
No quadro clínico, os principais sintomas são: irritação, ardor e prurido nas bordas das pálpebras, que se
apresentam congestas. Podem ser vistas escamas ou granulações presas aos cílios das pálpebras superior e inferior.
Na blefarite por estafilococo, as escamas são secas, as pálpebras apresentam-se avermelhadas, observando-se
pequenas ulcerações ao longo da borda e queda dos cílios. No tipo seborréico, as caspas são gordurosas, não ocorre
ulceração e as pálpebras não se apresentam tão vermelhas. Na blefarite mista, as escamas são secas e gordurosas,
as bordas das pálpebras se apresentam avermelhadas, com pequenas ulcerações. A seborréia do couro cabeludo, dos
supercílios e do pavilhão auricular está, freqüentemente, associada à blefarite seborréica.
Nas blefarites alérgicas relacionadas ao trabalho pode ser observada a presença de edema palpebral
pruriginoso, indolor, de aparecimento agudo e regressão rápida. Pode estar associada a uma dermatose eczematóide,
particularmente no canto lateral da pálpebra, com prurido e lesões cutâneo-escamosas.

Blefarite - Epidemiologia e Fatores de risco

Blefarite - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
A exposição à radiação infravermelha pode provocar quadros de blefarite, como as descritas em forjadores
e outros trabalhadores em siderurgia. As radiações ionizantes, raios X e raios Gama podem provocar radiodermites
agudas ou crônicas, com blefarite e queda dos cílios.
Trabalhadores expostos ao cimento podem apresentar quadros graves de blefarite, com edema e congestão
palpebral, geralmente associadas à conjuntivite.
A exposição ao arsênio e seus compostos pode provocar blefarite, sendo comum o acometimento simultâneo
de outros órgãos e sistemas, como, por exemplo, quadros dermatológicos (hiperceratose, dermatite eczematosa,
ceratite, hiperpigmentação e câncer de pele); irritação respiratória e risco aumentado de câncer pulmonar; hepatite
tóxica; neuropatia sensorial.

Sunday, March 23, 2014

Blefarite - Definição da Doença

Blefarite - Definição da Doença

12.3.1 BLEFARITE CID-10 H01.0

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
Blefarite é uma inflamação crônica das bordas livres das pálpebras, geralmente bilateral. Pode ser
classificada, segundo a localização da lesão, em blefarite angular e blefarite ciliar ou marginal; a forma de acometimento,
em blefarite escamosa e blefarite ulcerosa; e, a causa, em blefarite infecciosa, alérgica ou metabólica.



Fonte: Doenças do Trabalho

Lista de doenças do olho e anexos relacionadas ao trabalho

Lista de doenças do olho e anexos relacionadas ao trabalho

12.3 LISTA DE DOENÇAS DO OLHO E ANEXOS RELACIONADAS AO TRABALHO, DE ACORDO COM A
PORTARIA/MS N.º 1.339/1999
- Blefarite (H01.0)
- Conjuntivite (H10)
- Queratite e queratoconjuntivite (H16)
- Catarata (H28)
- Inflamação coriorretiniana (H30)
- Neurite óptica (H46)
- Distúrbios visuais subjetivos (H53.-)



Fonte: Doenças do Trabalho

Saturday, March 22, 2014

DOENÇAS DO OLHO E ANEXOS RELACIONADAS AO TRABALHO

Doenças do olho - Introdução

DOENÇAS DO OLHO E ANEXOS RELACIONADAS AO TRABALHO
(Grupo VII da CID-10)
INTRODUÇÃO
O aparelho visual é vulnerável à ação de inúmeros fatores de risco para a saúde presentes no trabalho,
como, por exemplo, agentes mecânicos (corpos estranhos, ferimentos contusos e cortantes), agentes físicos
(temperaturas extremas, eletricidade, radiações ionizantes e não-ionizantes), agentes químicos, agentes biológicos
(picadas de marimbondo e pêlo de lagarta) e ao sobreesforço que leva à astenopia induzida por algumas atividades de
monitoramento visual.

Os efeitos de substâncias tóxicas sobre o aparelho visual têm sido reconhecidos como um importante
problema de saúde ocupacional. Segundo dados disponíveis, mais da metade das substâncias que constam da lista
preparada pela ACGIH tem um efeito potencialmente lesivo sobre o olho e seus anexos. E, na medida em que são
introduzidas novas substâncias nos processos produtivos, esse número tende a aumentar.

Os acidentes oculares são muito comuns, representando cerca de 12% de todos os acidentes ocupacionais
na Finlândia, 4% na França e 3% das ocorrências nos Estados Unidos da América. Na Inglaterra, em estudo multicêntrico
recente, foram analisados 5.671 casos de acidentes oculares, dos quais 70% ocorreram no local de trabalho, atingindo
homens adultos jovens na fase produtiva da vida. Aproximadamente 2,4 milhões de acidentes oculares ocorrem
anualmente nos Estados Unidos, estimando-se entre 20.000 e 68.000 lesões graves, capazes de ameaçar a visão,
exigindo cuidados hospitalares mais complexos.
As manifestações variam da sensação de dor, desconforto e alterações na estética até os transtornos
graves da função visual, temporários ou permanentes.

Encefalopatia tóxica aguda - Prevenção

Encefalopatia tóxica aguda - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção das encefalopatias tóxicas relacionadas ao trabalho baseia-se na vigilância dos ambientes,
das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na introdução deste capítulo.
As medidas de controle ambiental visam à eliminação ou à redução da exposição, a níveis considerados
aceitáveis, aos agentes responsáveis pela ocorrência da doença, entre eles acrilamida, arsênio e seus compostos,
chumbo e seus derivados, mercúrio e seus derivados inorgânicos, sulfeto de carbono, hidrocarbonetos halogenados,
metil-n-butil cetona, n-hexano, PCB, tri-orto-cresilfosfato e compostos organofosforados, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho, se possível utilizando sistemas
hermeticamente fechados;
- normas de higiene e segurança rigorosas, incluindo sistemas de ventilação exaustora adequados e
eficientes;
- monitoramento sistemático das concentrações no ar ambiente;
- adoção de formas de organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos
e o tempo de exposição;
- medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho e facilidades para higiene pessoal, recursos para
banhos, lavagem das mãos, braços, rosto e troca de vestuário;
- fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, de modo
complementar às medidas de proteção coletiva.

Friday, March 21, 2014

Encefalopatia tóxica aguda - Epidemiologia e Fatores de risco

Encefalopatia tóxica aguda - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
As substâncias químicas neurotóxicas mais freqüentemente associadas à produção de encefalopatias
tóxicas agudas e/ou crônicas são:
- acrilamida;
- arsênio e seus compostos arsenicais;
- chumbo e seus compostos tóxicos 2,4 D;
- mercúrio metálico e seus derivados inorgânicos;
- compostos organofosforados;
- hidrocarbonetos halogenados;
- metil-n-butil cetona (MBK);
- n-hexano;
- policloreto de bifenila;
- sulfeto de carbono;
- tri-orto-cresilfosfato.

Encefalopatia tóxica aguda - Tratamento

Encefalopatia tóxica aguda - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
O diagnóstico etiológico preciso é fundamental para a definição da terapêutica e das medidas preventivas.
A avaliação médica da deficiência, da gravidade e das repercussões sobre o desempenho do paciente, e
mesmo do prognóstico relacionado ao quadro de encefalopatia tóxica crônica ou ao dano cerebral crônico, é difícil. As
manifestações podem ser difusas, refletindo um acometimento global do cérebro, e caracterizam-se pela ausência de
um sinal focal. Para avaliação das disfunções mentais ou comportamentais, podem ser utilizados os indicadores ou
parâmetros de aferição da disfunção mental ou comportamental empregados pela AMA, que organizam a disfunção ou
deficiência causadas pelos transtornos mentais e do comportamento em quatro áreas:

Thursday, March 20, 2014

Encefalopatia tóxica aguda - Definição da Doença

Encefalopatia tóxica aguda - Definição da Doença

11.3.12 ENCEFALOPATIA TÓXICA AGUDA CID-10 G92.1

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
A encefalopatia tóxica é uma síndrome neuropsiquiátrica secundária à exposição a agentes tóxicos,
caracterizada por sinais e sintomas inespecíficos e danos cerebrais difusos.
As manifestações clínicas dependem do agente envolvido, podendo comprometer
qualquer atividade encefálica, desde funções motoras, sensitivas, quanto
complexas funções corticais (memória, julgamento, abstração, cálculo, linguagem e juízo).
As alterações são, geralmente, difusas e bilaterais.
Quando a intoxicação é aguda ou maciça pode comprometer a consciência e levar ao coma e à
morte. As encefalopatias tóxicas agudas de origem ocupacional tendem a ser cada vez mais raras.

Polineuropatia induzida - Prevenção

Polineuropatia induzida - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção das outras polineuropatias relacionadas ao trabalho baseia-se na vigilância dos ambientes,
das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na introdução deste capítulo.
As medidas de controle ambiental visam à eliminação ou à redução da exposição, a níveis considerados
aceitáveis, aos agentes responsáveis pela ocorrência da doença, entre eles, acrilamida, arsênio e seus compostos,
chumbo e seus derivados, sulfeto de carbono, cloropropileno, metil-n-butil cetona, n-hexano, policloretos de bifenila
(PCB), tri-orto-cresilfosfato e compostos organofosforados, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho, se possível utilizando sistemas
hermeticamente fechados;
- normas de higiene e segurança rigorosas, incluindo sistemas de ventilação exaustora adequados e
eficientes;
- monitoramento sistemático das concentrações no ar ambiente;
- adoção de formas de organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos
e o tempo de exposição;

Wednesday, March 19, 2014

Polineuropatia induzida - Tratamento

Polineuropatia induzida - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
O tratamento dependerá da etiologia associada. O trabalhador deverá ser afastado da exposição ao agente
neurotóxico.



Fonte: Doenças do Trabalho

Polineuropatia induzida - Quadro clínico e diagnóstico

Polineuropatia induzida - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
Os achados mais comuns nas polineuropatias metabólicas ou tóxicas decorrem do comprometimento axonal
distal, seguido de desmielinização segmentar. A perda da sensibilidade ao toque é a manifestação comum da neuropatia
periférica. Também podem estar alteradas a percepção da discriminação entre dois pontos, posição, vibração e
temperatura. Dependendo da gravidade da neuropatia, o exame eletromiográfico pode revelar alteração da velocidade
de condução nervosa e redução da amplitude sensitiva ou motora do potencial obtido. A avaliação com potencial
evocado sensitivo pode ser, eventualmente, útil naqueles pacientes com alterações eletroneuromiográficas mais discretas.
A velocidade de condução nervosa motora ou sensitiva mais lenta está, geralmente, associada à desmielinização das
fibras nervosas, enquanto que valores normais na presença de diminuição da amplitude motora e sensitiva relacionam-
se às polineuropatias axonais.