Saturday, May 2, 2015

Blefarite - Quadro clínico e diagnóstico

Blefarite - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
No quadro clínico, os principais sintomas são: irritação, ardor e prurido nas bordas das pálpebras, que se
apresentam congestas. Podem ser vistas escamas ou granulações presas aos cílios das pálpebras superior e inferior.
Na blefarite por estafilococo, as escamas são secas, as pálpebras apresentam-se avermelhadas, observando-se
pequenas ulcerações ao longo da borda e queda dos cílios. No tipo seborréico, as caspas são gordurosas, não ocorre
ulceração e as pálpebras não se apresentam tão vermelhas. Na blefarite mista, as escamas são secas e gordurosas,
as bordas das pálpebras se apresentam avermelhadas, com pequenas ulcerações. A seborréia do couro cabeludo, dos
supercílios e do pavilhão auricular está, freqüentemente, associada à blefarite seborréica.
Nas blefarites alérgicas relacionadas ao trabalho pode ser observada a presença de edema palpebral
pruriginoso, indolor, de aparecimento agudo e regressão rápida. Pode estar associada a uma dermatose eczematóide,
particularmente no canto lateral da pálpebra, com prurido e lesões cutâneo-escamosas.

A infecção secundária por microorganismos gram-negativos, como a pseudomonas aeruginosa, é uma
complicação freqüente.
O diagnóstico de um quadro de blefarite baseia-se na história clínica e no exame oftalmológico. Exames
laboratoriais, como esfregaço, cultura de secreções e biópsia da lesão, podem ser utilizados para o diagnóstico diferencial.
No caso de exposição ao arsênio e a seus compostos, a dosagem de arsênio na urina pode ser utilizada
como um indicador de exposição, sendo útil para as ações de vigilância. O arsênio absorvido pelo organismo tem uma
vida curta no sangue e sua dosagem é útil como indicador de exposição muito recente. Pode, ainda, ser alterada pela
ingestão de mariscos e outros alimentos marinhos (nos casos de utilização desse indicador, recomenda-se a abstinência
desses alimentos, por um curto período, antes do exame).


Friday, May 1, 2015

Blefarite - Epidemiologia e Fatores de risco

Blefarite - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
A exposição à radiação infravermelha pode provocar quadros de blefarite, como as descritas em forjadores
e outros trabalhadores em siderurgia. As radiações ionizantes, raios X e raios Gama podem provocar radiodermites
agudas ou crônicas, com blefarite e queda dos cílios.
Trabalhadores expostos ao cimento podem apresentar quadros graves de blefarite, com edema e congestão
palpebral, geralmente associadas à conjuntivite.
A exposição ao arsênio e seus compostos pode provocar blefarite, sendo comum o acometimento simultâneo
de outros órgãos e sistemas, como, por exemplo, quadros dermatológicos (hiperceratose, dermatite eczematosa,
ceratite, hiperpigmentação e câncer de pele); irritação respiratória e risco aumentado de câncer pulmonar; hepatite
tóxica; neuropatia sensorial.
Em trabalhadores expostos, a blefarite, excluídas outras causas não-ocupacionais, deve ser considerada
como doença relacionada ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling, isto é, doença profissional em que o
trabalho constitui causa necessária, sem a qual seria improvável que a doença ocorresse.


Thursday, April 30, 2015

Blefarite - Definição da Doença

Blefarite - Definição da Doença

12.3.1 BLEFARITE CID-10 H01.0

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
Blefarite é uma inflamação crônica das bordas livres das pálpebras, geralmente bilateral. Pode ser
classificada, segundo a localização da lesão, em blefarite angular e blefarite ciliar ou marginal; a forma de acometimento,
em blefarite escamosa e blefarite ulcerosa; e, a causa, em blefarite infecciosa, alérgica ou metabólica.

Wednesday, April 29, 2015

Lista de doenças do olho e anexos relacionadas ao trabalho

Lista de doenças do olho e anexos relacionadas ao trabalho

12.3 LISTA DE DOENÇAS DO OLHO E ANEXOS RELACIONADAS AO TRABALHO, DE ACORDO COM A
PORTARIA/MS N.º 1.339/1999
- Blefarite (H01.0)
- Conjuntivite (H10)
- Queratite e queratoconjuntivite (H16)
- Catarata (H28)
- Inflamação coriorretiniana (H30)
- Neurite óptica (H46)
- Distúrbios visuais subjetivos (H53.-)



Tuesday, April 28, 2015

Doenças do olho - Introdução

Doenças do olho - Introdução

Capítulo 12
DOENÇAS DO OLHO E ANEXOS RELACIONADAS AO TRABALHO
(Grupo VII da CID-10)
12.1 INTRODUÇÃO
O aparelho visual é vulnerável à ação de inúmeros fatores de risco para a saúde presentes no trabalho,
como, por exemplo, agentes mecânicos (corpos estranhos, ferimentos contusos e cortantes), agentes físicos
(temperaturas extremas, eletricidade, radiações ionizantes e não-ionizantes), agentes químicos, agentes biológicos
(picadas de marimbondo e pêlo de lagarta) e ao sobreesforço que leva à astenopia induzida por algumas atividades de
monitoramento visual.

Os efeitos de substâncias tóxicas sobre o aparelho visual têm sido reconhecidos como um importante
problema de saúde ocupacional. Segundo dados disponíveis, mais da metade das substâncias que constam da lista
preparada pela ACGIH tem um efeito potencialmente lesivo sobre o olho e seus anexos. E, na medida em que são
introduzidas novas substâncias nos processos produtivos, esse número tende a aumentar.

Os acidentes oculares são muito comuns, representando cerca de 12% de todos os acidentes ocupacionais
na Finlândia, 4% na França e 3% das ocorrências nos Estados Unidos da América. Na Inglaterra, em estudo multicêntrico
recente, foram analisados 5.671 casos de acidentes oculares, dos quais 70% ocorreram no local de trabalho, atingindo
homens adultos jovens na fase produtiva da vida. Aproximadamente 2,4 milhões de acidentes oculares ocorrem
anualmente nos Estados Unidos, estimando-se entre 20.000 e 68.000 lesões graves, capazes de ameaçar a visão,
exigindo cuidados hospitalares mais complexos.
As manifestações variam da sensação de dor, desconforto e alterações na estética até os transtornos
graves da função visual, temporários ou permanentes.

Os mecanismos de resposta ocular aos traumas ou às agressões de agentes físicos e químicos são
complexos e sua descrição pode ser encontrada na bibliografia complementar recomendada. De modo sintético, a
área oftalmológica de atuação abrange a órbita, os anexos oculares (sobrancelhas, pálpebras, conjuntivas e aparelho
lacrimal), o globo ocular com suas estruturas dos segmentos anterior (córnea, câmara anterior e posterior, íris, cristalino,
corpo ciliar e malha trabecular), posterior (vítreo, coróide, retina e disco óptico), as estruturas vasculares, glandulares
e as vias visuais, papilares, motoras e sensitivas. Cada uma dessas estruturas tem seu próprio meio químico e físico e
responde às agressões de modo característico e particular. Apesar dessa complexidade, é possível identificar três
tipos básicos de resposta ocular às agressões:
- resposta primária no local da agressão (exemplo: alterações na córnea, em conseqüência de uma
queimadura ou abrasão);
- resposta ocular inflamatória, mais tardia e generalizada;
- resposta ocular específica, geralmente característica, causada por certas substâncias ativas
sistemicamente, como, por exemplo, a neurite óptica associada à ingestão de metanol.

Um grande número de substâncias químicas, que atua sistemicamente, pode afetar o olho em decorrência
do número de estruturas envolvidas e coordenadas para permitir a visão normal. Os mecanismos fisiopatológicos são
variados, incluindo a ação dos asfixiantes químicos e físicos, agentes bloqueadores neuromusculares e toxinas
neurooftalmológicas específicas.

A prevenção das doenças do olho e anexos relacionadas ao trabalho baseia-se nos procedimentos de
vigilância em saúde do trabalhador, vigilância dos ambientes, das condições de trabalho e dos agravos à saúde. Utiliza
conhecimentos médico-clínicos, epidemiológicos, de higiene ocupacional, ergonomia, psicologia, entre outras disciplinas,
a percepção dos trabalhadores sobre o trabalho e a saúde e as normas técnicas e regulamentos vigentes. Esses
procedimentos podem ser resumidos em:
- reconhecimento prévio das atividades e locais de trabalho onde existam substâncias químicas, agentes
físicos e biológicos e fatores de risco, decorrentes da organização do trabalho, potencialmente causadores
de doença;
- identificação dos problemas ou danos para a saúde, potenciais ou presentes, decorrentes da exposição
aos fatores de risco identificados;
- identificação e proposição de medidas de controle a serem adotadas para eliminação ou controle da
exposição aos fatores de risco e para proteção dos trabalhadores;
- educação e informação aos trabalhadores e empregadores.

A partir da confirmação do diagnóstico da doença e de sua relação com o trabalho, seguindo os
procedimentos descritos no capítulo 2, os serviços de saúde responsáveis pela atenção ao trabalhador devem
implementar as seguintes ações:
- avaliação da necessidade de afastamento (temporário ou permanente) do trabalhador da exposição,
do setor de trabalho ou do trabalho como um todo;
- se o trabalhador é segurado pelo SAT da Previdência Social, solicitar a emissão da CAT à empresa,
preencher o campo referente ao LEM e encaminhar ao INSS. Em caso de recusa de emissão da CAT
pelo empregador, o médico assistente (ou serviço médico) deve fazê-lo;
- acompanhamento da evolução do caso, registro de pioras e agravamento da situação clínica e sua
relação com o retorno ao trabalho;
- notificação do agravo ao sistema de informação de morbidade do SUS, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
- ações de vigilância epidemiológica visando à identificação de outros casos, por meio da busca ativa na
mesma empresa ou ambiente de trabalho ou em outras empresas do mesmo ramo de atividade, na
área geográfica;
- se necessário, complementar a identificação do agente (químico, físico ou biológico), das condições de
trabalho determinantes do agravo e de outros fatores de risco que podem estar contribuindo para a
ocorrência;
- inspeção na empresa ou ambiente de trabalho, de origem do paciente, ou em outras empresas do
mesmo ramo de atividade na área geográfica, procurando identificar os fatores de risco para a saúde,
as medidas de proteção coletiva, os equipamentos e as medidas de proteção individual utilizados;
- identificação e recomendação ao empregador quanto às medidas de proteção e controle a serem
adotadas, informando-as aos trabalhadores.

As principais medidas de proteção da saúde e prevenção da exposição aos fatores de risco são:
- substituição de tecnologias de produção por outras menos arriscadas para a saúde;
- isolamento do agente/substância ou enclausuramento do processo;
- medidas rigorosas de higiene e segurança do trabalho, como adoção de sistemas de ventilação local
exaustora e geral adequados e eficientes; utilização de capelas de exaustão; controle de vazamentos
e incidentes, mediante manutenção preventiva e corretiva de máquinas e equipamentos, e acom-
panhamento de seu cumprimento;
- monitoramento ambiental sistemático; adoção de sistemas seguros de trabalho, operacionais, de
transporte, de classificação e de rotulagem das substâncias químicas segundo propriedades toxicológicas
e toxicidade;
- manutenção de adequadas condições ambientais gerais e de conforto para os trabalhadores e facilidades
para higiene pessoal, como instalações sanitárias adequadas, banheiros, chuveiros, pias com água
limpa corrente e em abundância; vestuário adequado e limpo diariamente;
- garantia de recursos adequados para o atendimento de situações de emergência, uma vez que o
contato ou respingos de substâncias químicas nos olhos podem ameaçar a visão, como chuveiros ou
duchas lava-olhos em locais rapidamente acessíveis. Os trabalhadores devem estar treinados para
proceder imediatamente à lavagem dos olhos, com água corrente, por no mínimo cinco minutos, sendo
em seguida encaminhados para avaliação especializada por oftalmologista;
- diminuição do tempo de exposição e do número de trabalhadores expostos;
- fornecimento de equipamentos de proteção individual adequados, com manutenção indicada, de modo
complementar às medidas de proteção coletiva.
Os critérios propostos pela AMA, em seus Guides to the
Evaluation of Permanent Impairment (4.ª edição,1995), para a sistematização das
eventuais deficiências ou disfunções provocadas pelas oftalmopatias, podem ser
úteis se adaptados à realidade brasileira. O Baremo Internacional de Invalidezes classifica e estabelece um estagiamento
das disfunções ou deficiências em oftalmologia, segundo a importância dos transtornos:
GRUPO 1 - TRANSTORNOS LEVES,
SEM DISFUNÇÃO: caracterizam-se pela sensação de incômodo e os sintomas se reduzem
a manifestações subjetivas ou a manifestações não-invalidantes que melhoram com um tratamento, em
geral, muito simples.
Em todos os casos estão preservadas as funções mais importantes.
O paciente podeler, distinguir com precisão objetos e cores, orientar-se, deslocar-se, assistir a um espetáculo e efetuar
atividades desportivas de modo quase normal.
As vidas privada, social e profissional são normais. A autonomia é completa;

GRUPO 2 - TRANSTORNOS MODERADOS, PERMANENTES OU INTERMITENTES:
ainda que não cheguem a ser graves, podem ser
incapacitantes. As funções importantes estão preservadas, com acuidade visual binocular satisfatória para
longe e para perto, mesmo considerando uma possível lesão unilateral que já seja suficientemente importante.
As vidas social, privada e profissional são normais ou quase normais. A autonomia é completa;

GRUPO 3 - TRANSTORNOS PERMANENTES E INDISCUTÍVEIS:
não somente causam incômodo, como são incapacitantes ainda
que não cheguem a ser graves. A agudeza visual está diminuída e pode existir a perda de um olho e da
função binocular, ainda que nesses casos a visão do outro olho continue satisfatória. Podem ocorrer síndromes
dolorosas, diplopias causadoras de incômodo, apesar das correções aplicadas e de uma deficiente adaptação
às manifestações do transtorno. A autonomia está conservada;

GRUPO 4 - TRANSTORNOS IMPORTANTES:
são o resultado de doenças visuais em que o paciente padece penosamente em
decorrência da alteração de uma função (visão central muito diminuída ou hemianopsia lateral homônima
total) ou, com maior freqüência, da alteração de várias funções. A realização de muitas atividades é difícil:
leitura, escrita, costura, assistir a um espetáculo, andar na rua ou conduzir-se em circulação, obrigando a
suprimir determinadas distrações e atividades recreativas, etc. A autonomia está conservada para uma vida
habitual. Os pacientes com hemianopsias laterais necessitam, às vezes, de ajuda de um acompanhante.
Não é possível conduzir veículos;

GRUPO 5 - TRANSTORNOS MUITO IMPORTANTES:
este grupo inclui todas as disfunções que somente deixam uma capacidade
igual ou inferior a 40%, disfunções que vão desde a cegueira total até situações que ainda deixam uma
agudeza visual de 1/10 em cada olho. Em conseqüência, os transtornos que esses pacientes apresentam
são muito diferentes e não podem ser avaliados da mesma maneira.


Monday, April 27, 2015

Encefalopatia tóxica aguda - Prevenção

Encefalopatia tóxica aguda - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção das encefalopatias tóxicas relacionadas ao trabalho baseia-se na vigilância dos ambientes,
das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na introdução deste capítulo.
As medidas de controle ambiental visam à eliminação ou à redução da exposição, a níveis considerados
aceitáveis, aos agentes responsáveis pela ocorrência da doença, entre eles acrilamida, arsênio e seus compostos,
chumbo e seus derivados, mercúrio e seus derivados inorgânicos, sulfeto de carbono, hidrocarbonetos halogenados,
metil-n-butil cetona, n-hexano, PCB, tri-orto-cresilfosfato e compostos organofosforados, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho, se possível utilizando sistemas
hermeticamente fechados;
- normas de higiene e segurança rigorosas, incluindo sistemas de ventilação exaustora adequados e
eficientes;
- monitoramento sistemático das concentrações no ar ambiente;
- adoção de formas de organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos
e o tempo de exposição;
- medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho e facilidades para higiene pessoal, recursos para
banhos, lavagem das mãos, braços, rosto e troca de vestuário;
- fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, de modo
complementar às medidas de proteção coletiva.

Recomenda-se observar a adequação e o cumprimento, pelo empregador, do PPRA (NR 9) e do PCMSO
(NR 7), da Portaria/MTb n.º 3.214/1978, além de outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes nos
estados e municípios. O Anexo n.º 11 da NR 15 define os LT das concentrações em ar ambiente de várias substâncias
químicas, para jornadas de até 48 horas semanais.
A produção, comercialização, utilização, transporte e destinação de produtos agrotóxicos, incluindo os
organofosforados, são definidos pela Lei Federal n.º 7.802/1989. Alguns estados e municípios possuem regulamentações
complementares que devem ser obedecidas. Recomenda-se observar o cumprimento, pelo empregador, das NRR, da
Portaria/MTb n.º 3.067/1988, especialmente a NRR 5, que dispõe sobre os produtos químicos (agrotóxicos e afins),
fertilizantes e corretivos. Especial atenção deve ser dada na proteção de trabalhadores envolvidos nas atividades de
preparação de caldas e aplicação desses produtos.

O exame médico periódico objetiva a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença,
por meio de:
- avaliação clínica com pesquisa de sinais e sintomas neurológicos, utilizando protocolo padronizado e
exame físico criterioso;
- exames complementares orientados pela exposição ocupacional;
- informações epidemiológicas;
- análises toxicológicas:
- para trabalhadores expostos ao arsênio: dosagem na urina – VR de até 10 µg/g de creatinina
e IBMP de 50 µg/g de creatinina;
- para o n-hexano: dosagem de 2,5 hexanodiona na urina – IBMP de 5 µg/g de creatinina;
- para o chumbo:
- concentração de chumbo no sangue – VR de até 40 µg/100 ml e IBMP de 60 µg/100 ml;
- concentração de ácido delta amino levulínico na urina – VR de até 4,5 mg/g de creatinina
e IBMP de 10 mg/g de creatinina;
- concentração de zincoprotoporfirina no sangue – VR de até 40 µg/100 ml e IBMP de 100
µg/100 ml. A dosagem de chumbo sérico reflete a absorção do metal nas semanas
antecedentes à coleta da amostra.
Os trabalhadores expostos a agrotóxicos devem ser acompanhados para detecção de efeitos decorrentes
de exposições pregressas e atuais. O uso de inseticidas inibidores da acetilcolinesterase (alguns organofosforados e
carbamatos) deve ser monitorado por meio da medida da atividade da acetilcolinesterase, preferencialmente colinesterase
eritrocitária. Essa dosagem deve ser feita no exame pré-admissional ou no momento pré-exposição e periodicamente
(semestralmente). Redução de 30% da atividade da acetilcolinesterase eritrocitária, de 50% da plasmática ou de 25%
em sangue total, em relação à medida pré-exposição, são indicativos de intoxicação importante.

Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:
- informar ao trabalhador;
- examinar os expostos, visando a identificar outros casos;
- notificar o caso aos sistemas de informação em saúde (epidemiológica, sanitária e/ou de saúde do
trabalhador), por meio dos instrumentos próprios, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
- providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social,
conforme descrito no capítulo 5;
- orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou
controle dos fatores de risco.


Sunday, April 26, 2015

Encefalopatia tóxica aguda - Tratamento

Encefalopatia tóxica aguda - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
O diagnóstico etiológico preciso é fundamental para a definição da terapêutica e das medidas preventivas.
A avaliação médica da deficiência, da gravidade e das repercussões sobre o desempenho do paciente, e
mesmo do prognóstico relacionado ao quadro de encefalopatia tóxica crônica ou ao dano cerebral crônico, é difícil. As
manifestações podem ser difusas, refletindo um acometimento global do cérebro, e caracterizam-se pela ausência de
um sinal focal. Para avaliação das disfunções mentais ou comportamentais, podem ser utilizados os indicadores ou
parâmetros de aferição da disfunção mental ou comportamental empregados pela AMA, que organizam a disfunção ou
deficiência causadas pelos transtornos mentais e do comportamento em quatro áreas:
LIMITAÇÕES EM ATIVIDADES DA VIDA DIÁRIA:
incluem atividades como autocuidado, higiene pessoal, comunicação, deambulação,
viagens, repouso e sono, atividades sexuais e exercício de atividades sociais e recreacionais. O que é
avaliado não é simplesmente o número de atividades que estão restritas ou prejudicadas, mas o conjunto
de restrições ou limitações como um todo, e que, eventualmente, afetam o indivíduo;

EXERCÍCIO DE FUNÇÕES SOCIAIS:
refere-se à capacidade do indivíduo de interagir apropriadamente e comunicar-se
eficientemente com outras pessoas. Inclui a capacidade de conviver com outros, tais como membros de
sua família, amigos, vizinhos, atendentes e balconistas no comércio, zeladores de prédios, motoristas de
táxi ou ônibus, colegas de trabalho, supervisores ou supervisionados, sem altercações, agressões,
xingamento ou sem o isolamento do indivíduo, em relação ao mundo que o cerca;

CONCENTRAÇÃO, PERSISTÊNCIA E RITMO:
também denominados capacidade de completar ou levar a cabo tarefas.
Esses indicadores ou parâmetros referem-se à capacidade de manter a atenção focalizada o tempo suficiente
para permitir a realização cabal, em tempo adequado, de tarefas comumente encontradas no lar, na escola
ou nos locais de trabalho. Essas capacidades ou habilidades podem ser avaliadas por qualquer pessoa,
principalmente se for familiarizada com o desempenho anterior, basal ou histórico do indivíduo, mas
eventualmente a opinião de profissionais psicólogos ou psiquiatras, com bases mais objetivas, poderá
ajudar na avaliação;

DETERIORAÇÃO OU DESCOMPENSAÇÃO NO TRABALHO:
refere-se a falhas repetidas na adaptação a circunstâncias estressantes.
Frente a situações ou circunstâncias mais estressantes ou de mais elevada demanda, os indivíduos saem,
desaparecem ou manifestam exacerbações dos sinais e sintomas de seu transtorno mental ou
comportamental.
Em outras palavras, descompensam e têm dificuldade de manter as atividades da vida
diária ou o exercício de funções sociais ou a capacidade de completar ou levar a cabo tarefas. Aqui,
situações de estresse, comuns em ambientes de trabalho, podem incluir o atendimento a clientes, a
tomada de decisões, a programação de tarefas, a interação com supervisores e colegas, etc.


Saturday, April 25, 2015

Encefalopatia tóxica aguda - Quadro clínico e diagnóstico

Encefalopatia tóxica aguda - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
O quadro clínico depende do agente tóxico envolvido.
Nas intoxicações causadas por arsênio, manifestam-se dor nas extremidades, cefaléia,
fraqueza muscular, sugestivos de uma polineuropatia, e depressão do sistema
nervoso central que pode levar ao coma. Nas intoxicações crônicas avançadas, os sintomas neurológicos podem ser
os mais importantes, predominando as neurites periféricas.
As manifestações da encefalopatia tóxica pelo arsênio são
semelhantes às da síndrome de Wernicke e à psicose de Korsakoff, em decorrência do bloqueio associado ao
metabolismo da tiamina.

A intoxicação crônica grave causada pelo mercúrio manifesta-se por alterações da cavidade oral com
inflamação da mucosa e gengivas, que se tornam esponjosas e sangram facilmente, ocasionando a queda dos dentes.
Aparecem, também, tremores finos e involuntários nas mãos, pés e língua, que são agravados nos movimentos
voluntários ou intencionais e distúrbios de comportamento traduzidos em ansiedade, irritabilidade, depressão, regressão,
nervosismo e timidez. Além disso, podem ocorrer lesões renais, traduzidas em proteinúria, edema e sintomas
inespecíficos, como debilidade, fadiga, palidez, perda de peso e transtornos gastrintestinais.
Nas intoxicações por chumbo, os danos cerebrais são mais freqüentes em crianças que nos adultos.
Manifestam-se por letargia, vômitos intermitentes, apatia, sonolência, irritabilidade, estupor, perda de memória e tremores
musculares que podem evoluir para convulsões, coma e morte.

Nas doenças neurotóxicas de etiologia ocupacional, o diagnóstico é feito geralmente por exclusão. São
recomendados os seguintes critérios diagnósticos:
- verificação da exposição por meio da história ocupacional, observando-se associação adequada entre
a exposição e os sintomas típicos;
- evidência objetiva da patologia de base, por meio de exame neurológico, tomografia axial
computadorizada (TC), eletroencefalograma (EEG), ressonância magnética (RM) e testes
neuropsicológicos;
- exclusão de outras doenças crônicas ou degenerativas (doença de Parkinson, doença de Alzheimer e outras demências), de doença psiquiátrica primária, de doença de etiologia genética e de exposições
não-ocupacionais a álcool, drogas e medicamentos.


Friday, April 24, 2015

Encefalopatia tóxica aguda - Epidemiologia e Fatores de risco

Encefalopatia tóxica aguda - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
As substâncias químicas neurotóxicas mais freqüentemente associadas à produção de encefalopatias
tóxicas agudas e/ou crônicas são:
- acrilamida;
- arsênio e seus compostos arsenicais;
- chumbo e seus compostos tóxicos 2,4 D;
- mercúrio metálico e seus derivados inorgânicos;
- compostos organofosforados;
- hidrocarbonetos halogenados;
- metil-n-butil cetona (MBK);
- n-hexano;
- policloreto de bifenila;
- sulfeto de carbono;
- tri-orto-cresilfosfato.

Essas exposições ocorrem principalmente em processos industriais químicos, petroquímicos, de plásticos,
metalúrgicos, em fundições e no contato com agrotóxicos organofosforados.
Em trabalhadores expostos a produtos químicos neurotóxicos, as encefalopatias, com as características
acima descritas e excluídas outras causas não-ocupacionais, devem ser consideradas como doenças relacionadas ao
trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling, em que o trabalho constitui causa necessária.


Thursday, April 23, 2015

Encefalopatia tóxica aguda - Definição da Doença

Encefalopatia tóxica aguda - Definição da Doença

11.3.12 ENCEFALOPATIA TÓXICA AGUDA CID-10 G92.1

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
A encefalopatia tóxica é uma síndrome neuropsiquiátrica secundária à exposição a agentes tóxicos,
caracterizada por sinais e sintomas inespecíficos e danos cerebrais difusos.
As manifestações clínicas dependem do agente envolvido, podendo comprometer
qualquer atividade encefálica, desde funções motoras, sensitivas, quanto
complexas funções corticais (memória, julgamento, abstração, cálculo, linguagem e juízo).
As alterações são, geralmente, difusas e bilaterais.
Quando a intoxicação é aguda ou maciça pode comprometer a consciência e levar ao coma e à
morte. As encefalopatias tóxicas agudas de origem ocupacional tendem a ser cada vez mais raras. Podem, também,
ocorrer em intoxicações acidentais, intencionais, não-ocupacionais e em crianças.
A encefalopatia tóxica crônica ou dano cerebral crônico refere-se às seqüelas neurológicas e/ou
comportamentais da exposição a substâncias químicas neurotóxicas. As manifestações podem ser difusas, refletindo
um acometimento global do encéfalo, e caracterizam-se pela ausência de um sinal focal.


Wednesday, April 22, 2015

Polineuropatia induzida - Prevenção

Polineuropatia induzida - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção das outras polineuropatias relacionadas ao trabalho baseia-se na vigilância dos ambientes,
das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na introdução deste capítulo.
As medidas de controle ambiental visam à eliminação ou à redução da exposição, a níveis considerados
aceitáveis, aos agentes responsáveis pela ocorrência da doença, entre eles, acrilamida, arsênio e seus compostos,
chumbo e seus derivados, sulfeto de carbono, cloropropileno, metil-n-butil cetona, n-hexano, policloretos de bifenila
(PCB), tri-orto-cresilfosfato e compostos organofosforados, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho, se possível utilizando sistemas
hermeticamente fechados;
- normas de higiene e segurança rigorosas, incluindo sistemas de ventilação exaustora adequados e
eficientes;
- monitoramento sistemático das concentrações no ar ambiente;
- adoção de formas de organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos
e o tempo de exposição;
- medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho e facilidades para higiene pessoal, recursos para
banhos, lavagem das mãos, braços, rosto e troca de vestuário;
- fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, de modo complementar
às medidas de proteção coletiva.

Recomenda-se observar a adequação e o cumprimento, pelo empregador, do PPRA (NR 9) e do PCMSO
(NR 7), da Portaria/MTb n.º 3.214/1978, além de outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes nos
estados e municípios. O Anexo n.º 11 da NR 15 define os LT das concentrações em ar ambiente de várias substâncias
químicas, para jornadas de até 48 horas semanais, entre elas:
- gás sulfídrico: 8 ppm ou 12 mg/m3;
- tricloroetileno: 78 ppm ou 420 mg/m3;
- formaldeído: 1,6 ppm ou 2,3 mg/m3;
- tolueno: 78 ppm ou 290 mg/m3;
- chumbo: 0,1 mg/m3.

Esses parâmetros devem ser revisados periodicamente, e sua manutenção dentro dos limites estabelecidos
não exclui a possibilidade de ocorrerem danos para a saúde.
O exame médico periódico objetiva a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença,
por meio de:
- avaliação clínica com pesquisa de sinais e sintomas neurológicos, utilizando protocolo padronizado e
exame físico criterioso;
- exames complementares orientados pela exposição ocupacional;
- informações epidemiológicas;
- análises toxicológicas:
- para trabalhadores expostos ao chumbo, os principais indicadores biológicos de exposição
são:
- concentração de chumbo no sangue (PbS) – VR de até 40 µg/100 ml e IBMP de 60 µg/ 100 ml;
- concentração de ácido delta amino levulínico na urina (ALA-U) – VR de até 4,5 mg/g de
creatinina e IBMP de até 10 mg/g de creatinina;
- concentração de zincoprotoporfirina no sangue (ZPP) – VR de até 40 µg/100 ml e IBMP
de 100 µg/100 ml. A dosagem de chumbo sérico reflete a absorção do metal nas semanas
antecedentes à coleta da amostra ou a mobilização de depósitos ósseos.
- para trabalhadores expostos ao arsênio, o indicador biológico é a dosagem deste na urina –
VR de até 10 µg/g de creatinina e IBMP de 50 µg/g de creatinina;
- para trabalhadores expostos ao n-hexano, o indicador biológico é a dosagem de 2,5
hexanodiona na urina – IBMP de 5 mg/g de creatinina.

Os trabalhadores expostos a agrotóxicos devem ser acompanhados para detecção de efeitos decorrentes
de exposições pregressas e atuais. O uso de inseticidas inibidores da acetilcolinesterase (alguns organofosforados e
carbamatos) deve ser monitorado por meio da medida de atividade de acetilcolinesterase, preferencialmente colinesterase
eritrocitária. Essa dosagem deve ser feita no exame pré-admissional ou no momento pré-exposição e periodicamente
(semestralmente). Redução de 30% da atividade da acetilcolinesterase eritrocitária, de 50% da plasmática ou de 25%
em sangue total, em relação à medida pré-exposição, são indicativos de intoxicação importante.

Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:
- informar ao trabalhador;
- examinar os expostos, visando a identificar outros casos;
- notificar o caso aos sistemas de informação em saúde (epidemiológica, sanitária e/ou de saúde do
trabalhador), por meio dos instrumentos próprios, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
- providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social,
conforme descrito no capítulo 5;
- orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou
controle dos fatores de risco.


Tuesday, April 21, 2015

Polineuropatia induzida - Tratamento

Polineuropatia induzida - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
O tratamento dependerá da etiologia associada. O trabalhador deverá ser afastado da exposição ao agente
neurotóxico.


Monday, April 20, 2015

Polineuropatia induzida - Quadro clínico e diagnóstico

Polineuropatia induzida - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
Os achados mais comuns nas polineuropatias metabólicas ou tóxicas decorrem do comprometimento axonal
distal, seguido de desmielinização segmentar. A perda da sensibilidade ao toque é a manifestação comum da neuropatia
periférica. Também podem estar alteradas a percepção da discriminação entre dois pontos, posição, vibração e
temperatura. Dependendo da gravidade da neuropatia, o exame eletromiográfico pode revelar alteração da velocidade
de condução nervosa e redução da amplitude sensitiva ou motora do potencial obtido. A avaliação com potencial
evocado sensitivo pode ser, eventualmente, útil naqueles pacientes com alterações eletroneuromiográficas mais discretas.
A velocidade de condução nervosa motora ou sensitiva mais lenta está, geralmente, associada à desmielinização das
fibras nervosas, enquanto que valores normais na presença de diminuição da amplitude motora e sensitiva relacionam-
se às polineuropatias axonais.

As causas ocupacionais das neuropatias periféricas incluem a exposição a agentes neurotóxicos, como
metais pesados, solventes orgânicos, pesticidas, a radiação ionizante e o frio. Também os movimentos repetitivos
podem causar lesão nos nervos periféricos por compressão externa ou interna. Outras lesões de natureza mecânica,
como lacerações, vibração e traumas repetidos, também podem levar à neuropatia. Entre as causas não-ocupacionais
estão doenças genéticas, nutricionais, infecções e pós-infecções, tumores malignos e doenças metabólicas (diabetes
e deficiência de tiamina). Outras causas importantes são alcoolismo, uremia, paraproteinemia, amiloidose e sarcoidose.
O diagnóstico inclui:
- história clínica e ocupacional;
- exame neurológico.
Dois diagnósticos diferenciais importantes são o diabetes mellitus e o alcoolismo.


Sunday, April 19, 2015

Polineuropatia induzida - Epidemiologia e Fatores de risco

Polineuropatia induzida - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
As substâncias químicas neurotóxicas mais freqüentemente associadas à produção de polineuropatias são:
- acrilamida;
- arsênio e seus compostos arsenicais;
- chumbo e seus derivados inorgânicos;
- compostos organofosforados;
- 1-cloro-2-propeno, 3-cloropropileno, cloroalileno, α cloropropileno;
- metil-n-butil cetona (MBK);
- n-hexano;
- PCB;
- sulfeto de carbono;
- tri-orto-cresilfosfato.
Em trabalhadores expostos a esses produtos químicos neurotóxicos, as polineuropatias, com as
características acima descritas e excluídas outras causas não-ocupacionais, devem ser consideradas como doenças
relacionadas ao trabalho, do Grupo I da Classificação de Schilling, em que o trabalho constitui causa necessária. Na
ausência de exposição ocupacional, é improvável que a doença ocorra.


Saturday, April 18, 2015

Polineuropatia induzida - Definição da Doença

Polineuropatia induzida - Definição da Doença

OUTRAS POLINEUROPATIAS: CID-10 G62.-
POLINEUROPATIA DEVIDA A OUTROS AGENTES TÓXICOS G62.2
POLINEUROPATIA INDUZIDA PELA RADIAÇÃO G62.8

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
As neuropatias periféricas designam um conjunto de alterações que se traduzem em sintomas variados
como a sensação de formigamento e entorpecimento, que podem progredir para uma disestesia até a perda da
sensibilidade. Fraqueza muscular e eventual atrofia podem resultar do dano das fibras nervosas motoras. De acordo
com o nervo envolvido, as polineuropatias tóxicas podem ser classificadas em axonopatias, que se apresentam como
perda sensoriomotora distal (mais evidente nas extremidades inferiores, onde os axônios são mais longos), mielinopatias,
quando ocorre a desmielinização, e as neuronopatias.


Friday, April 17, 2015

Lesão do nervo poplíteo lateral - Prevenção

Lesão do nervo poplíteo lateral - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção das mononeuropatias do membro inferior relacionadas ao trabalho baseia-se na vigilância dos
ambientes, processos, atividades de trabalho e vigilância dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na introdução
do capítulo 18 – Doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo relacionadas ao trabalho. Requer uma ação
integrada, articulada entre os setores assistenciais e os de vigilância.
É importante que o cuidado desses casos seja feito por uma equipe multiprofissional, com abordagem
interdisciplinar, capacitada a lidar e a dar suporte ao sofrimento físico e psíquico do trabalhador e aos aspectos sociais
e de intervenção nos ambientes de trabalho.
A vigilância de fatores de risco baseia-se na descrição das tarefas executadas pelo trabalhador, a partir da
observação direta ou entrevista, utilizando check lists, e, se possível, análise ergonômica das atividades, com ênfase
nos aspectos relativos à organização do trabalho, incluindo:
- análise ergonômica do trabalho real, da atividade, das tarefas, dos modos operatórios e dos postos de
trabalho;
- avaliação do ritmo e da intensidade do trabalho;
- estudo dos fatores mecânicos e condições físicas dos postos de trabalho, dos sistemas de turnos, dos
sistemas de premiação e dos incentivos;
- avaliação dos fatores psicossociais, individuais e das relações de trabalho entre colegas e chefias.

Recomenda-se observar a adequação e o cumprimento, pelo empregador, do PPRA (NR 9) e do PCMSO
(NR 7), da Portaria/MTb n.º 3.214/1978, além de outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes nos
estados e municípios. Para a promoção da saúde do trabalhador e prevenção dos transtornos do plexo braquial
relacionados ao trabalho, devem ser observadas, pelo empregador, as prescrições contidas na NR 17, que estabelece
parâmetros para a avaliação e correção de situações e condições de trabalho, do ponto de vista ergonômico.
Devem ser definidas estratégias para garantir a participação dos trabalhadores e a sensibilização dos níveis
gerenciais para a implementação das medidas preventivas que envolvam modificações na organização do trabalho.

O exame médico periódico visa à identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença, por
meio de:
- avaliação clínica com pesquisa de sinais e sintomas neurológicos, por meio de protocolo padronizado e
exame físico criterioso;
- exames complementares orientados pela exposição ocupacional;
- informações epidemiológicas.

Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:
- informar ao trabalhador;
- examinar os expostos, visando a identificar outros casos;
- notificar o caso aos sistemas de informação em saúde (epidemiológica, sanitária e/ou de saúde do
trabalhador), por meio dos instrumentos próprios, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
- providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social,
conforme descrito no capítulo 5;
- orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação
ou controle dos fatores de risco;
- articular os setores de assistência, vigilância e aqueles que irão realizar a reabilitação física, profissional
e psicossocial. É importante o acompanhamento do retorno do trabalhador ao trabalho, na mesma
atividade, com modificações ou restrições, ou em outra atividade, de modo a garantir que não haja
progressão ou agravamento do quadro.