Wednesday, September 16, 2015

Aterosclerose - Quadro clínico e diagnóstico

Aterosclerose - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
O quadro clínico depende da artéria ou artérias obstruídas. O paciente pode apresentar angina estável,
angina instável, infarto agudo do miocárdio, isquemia cerebral transitória, acidente vascular cerebral isquêmico,
claudicação intermitente, gangrena de extremidades e/ou infarto mesentérico.
O diagnóstico de certeza é feito pelo estudo angiográfico. Indiretamente pode ser feito pela utilização de
outros métodos propedêuticos como o ECG, o estudo seriado de enzimas (CK-MB), o teste ergométrico e a cintilografia
miocárdica, nos quadros de síndrome coronária isquêmica aguda e crônica. A tomografia e a ressonância magnética
cerebral auxiliam nos quadros de síndrome vascular isquêmica cerebral. A laparotomia exploradora define a isquemia
mesentérica.


Tuesday, September 15, 2015

Aterosclerose - Epidemiologia e Fatores de risco

Aterosclerose - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
Considera-se que a aterosclerose e a doença aterosclerótica do coração são causadas por um processo
de natureza multifatorial, sem fator individual necessário ou suficiente para causar a doença. Dentre esses fatores de
risco, incluem-se: diabetes mellitus e baixo colesterol HDL, com maior importância no sexo feminino; tabagismo,
particularmente influente no sexo masculino (não-cumulativo e com perda de seu efeito adverso pouco após a interrupção
do hábito); obesidade ou ganho de peso, que promove ou agrava todos os fatores de risco aterogênicos; e sedentarismo,
pois predispõe a eventos coronarianos em todas as idades.
O aumento da pressão arterial e a hipertensão sistólica isolada são relevantes fatores de risco em todas as
idades e em ambos os sexos. Além disso, os fatores genéticos, os níveis elevados de colesterol LDL, hipertrigliceridemia
e uso de contraceptivos orais são importantes fatores de risco.
Estudos epidemiológicos demonstram risco relativo de morte por doença coronariana – aterosclerose – até
5,6 vezes maior em trabalhadores expostos ao sulfeto de carbono, quando comparados com populações não-expostas.
A redução da exposição ao sulfeto de carbono também reduz o risco.


Monday, September 14, 2015

Aterosclerose - Definição da Doença

Aterosclerose - Definição da Doença

14.3.8 ATEROSCLEROSE CID-10 I70.-
DOENÇA ATEROSCLERÓTICA DO CORAÇÃO I25.1

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
Aterosclerose (também conhecida como arteriosclerose) é o termo descritivo para as lesões espessadas e
endurecidas (placa aterosclerótica) das artérias musculares e elásticas médias e grandes. Doença aterosclerótica do
coração é definida pela presença de aterosclerose nas artérias coronárias.
As lesões da aterosclerose ocorrem dentro da camada mais interna da artéria, a íntima, e são restritas a
essa região do vaso. São lesões excêntricas, podendo ocluir total ou parcialmente a artéria e, portanto, o suprimento
vascular para um tecido ou órgão, resultando em isquemia ou necrose.
As artérias que mais comumente são afetadas pela doença aterosclerótica são a aorta, as artérias femural,
poplítea, tibial, coronárias, carótida interna e externa e as cerebrais.


Sunday, September 13, 2015

Controle da exposição aos inseticidas organofosforados e carbamatos

Controle da exposição aos inseticidas organofosforados e carbamatos

Para o controle da exposição aos inseticidas organofosforados e carbamatos, recomenda-se consultar o
disposto na Lei Federal n.º 7.802/1989, além de leis e regulamentos estaduais e municipais porventura existentes.
Recomenda-se observar o cumprimento, pelo empregador, das NRR, da Portaria/MTb n.º 3.067/1988, especialmente
a NRR 5, que dispõe sobre os produtos químicos (agrotóxicos e afins), fertilizantes e corretivos. Especial atenção deve
ser dada à proteção de trabalhadores envolvidos nas atividades de preparação de caldas e aplicação desses produtos.
O exame médico periódico visa à identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. A
avaliação periódica de saúde deve incluir:
- exame clínico;
- exames laboratoriais com avaliação das dislipemias e triglicérides, entre outros;
- eletrocardiograma;
- orientação dos trabalhadores;
- monitoramento biológico dos expostos a substâncias químicas envolvidas nas arritmias cardíacas,
como, por exemplo:
- em expostos ao monóxido de carbono, utiliza-se a dosagem da concentração de
carboxiemoglobina no sangue – VR de até 1% em NF e IBMP de 3,5% em NF;
- em expostos ao arsênio, dosagem na urina – VR de até 10 µg/g de creatinina e IBMP de
50 µg/g de creatinina;
- em expostos ao mercúrio, dosagem na urina – VR de até 5 µg/g de creatinina e IBMP de
35 µg/g de creatinina;
- em expostos ao chumbo:
- concentração de chumbo no sangue (Pb-S) – VR de até 40 µg/100 ml e IBMP de 60 µg/100
ml. A ACGIH recomenda, como índice biológico de exposição, 30 µg/100 ml;
- concentração de ácido delta amino levulínico na urina (ALA-U) – VR de até 4,5 mg/g de
creatinina e IBMP de até 10 mg/g de creatinina;
- concentração de zincoprotoporfirina no sangue (ZPP-S) – VR de até 40 µg/100 ml e
IBMP de 100 µg/100 ml.
A dosagem de chumbo sérico reflete a absorção do metal nas semanas antecedentes
à coleta da amostra ou à mobilização de depósitos ósseos.
- em expostos ao tricloroetano, dosagem de triclorocompostos totais na urina – IBMP de 40 mg/g de
creatinina;
- em expostos ao tricloroetileno, dosagem de triclorocompostos totais na urina – IBMP de
300 mg/g de creatinina.
Os trabalhadores expostos a inseticidas organofosforados e carbamatos devem ser monitorados por meio
da medida de atividade da acetilcolinesterase. A colinesterase eritrocitária possui especificidade maior que a plasmática
e que a colinesterase total. Essa dosagem deve ser feita no exame pré-admissional ou no momento pré-exposição, e
semestralmente. Uma redução de 30% da atividade da acetilcolinesterase eritrocitária, de 50% da plasmática ou de
25% em sangue total, em relação à medida pré-exposição, são indicativos de intoxicação importante.
Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:
- informar ao trabalhador;
- examinar os expostos, visando a identificar outros casos;
- notificar o caso aos sistemas de informação em saúde (epidemiológica, sanitária e/ou de saúde do
trabalhador), por meio dos instrumentos próprios, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
- providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social,
conforme descrito no capítulo 5;
- orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou
controle dos fatores de risco.


Saturday, September 12, 2015

Arritmias cardíacas - Prevenção

Arritmias cardíacas - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção das arritmias cardíacas relacionadas ao trabalho pode ser feita por meio da vigilância dos
ambientes, das condições de trabalho e dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na introdução deste capítulo.

O controle ambiental da exposição a monóxido de carbono, gás arsina, chumbo, antimônio, arsênio, cobalto, mercúrio,
solventes organoclorados e hidrocarbonetos alifáticos, aromáticos, cetonas, éteres e ésteres e seus compostos pode
efetivamente reduzir a ocorrência da doença nos grupos de trabalhadores sob risco.

As medidas de controle ambiental
visam à eliminação ou à redução dos níveis de exposição, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;
- uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria;
- normas de higiene e segurança rigorosas, com implantação de sistemas de ventilação exaustora
adequados e eficientes;
- monitoramento ambiental sistemático;
- mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o
tempo de exposição e reduzir os fatores de estresse no trabalho;
- medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho e facilidades de higiene pessoal, recursos para
banhos, lavagem das mãos, braços, rosto e troca de vestuário;
- fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, em bom estado
de conservação, nos casos indicados, de modo complementar às medidas de proteção coletiva.

Deve-se buscar a modificação dos fatores de organização do trabalho que contribuem para o aparecimento
do estresse, como as pressões e demandas por maior produtividade, intensificação do trabalho e competitividade
exacerbada na empresa.
Recomenda-se a verificação da adequação e da adoção, pelo empregador, das medidas de controle dos
fatores de risco ocupacionais e de promoção da saúde identificadas no PPRA (NR 9) e no PCMSO (NR 7), além de
outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes nos estados e municípios. A NR 15 define os LT para a
concentração de algumas dessas substâncias no ar ambiente, para jornadas de até 48 horas semanais:
- monóxido de carbono – 39 ppm ou 43 mg/m3;
- arsina – 0,04 ppm ou 0,16 mg/m3 ;
- chumbo - 0,1 mg/m3 ;
- mercúrio – 0,04 mg/m3;
- clorofórmio – 20 ppm ou 94 mg/m3;
- cloreto de metileno – 156 ppm ou 560 mg/m3;
- tetracloroetileno – 78 ppm ou 525 mg/m3;
- tricloroetileno – 78 ppm ou 420 mg/m3 .
Esses limites devem ser comparados com aqueles adotados por outros países e revisados periodicamente
à luz do conhecimento e de evidências atualizadas. Tem sido observado que, mesmo se estritamente obedecidos, não
impedem o surgimento de danos para a saúde.


Friday, September 11, 2015

Arritmias cardíacas - Tratamento

Arritmias cardíacas - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
O tratamento objetiva a correção da arritmia e prevenção da recorrência. Nos pacientes com taquiarritmias,
instáveis hemodinamicamente ou com insuficiência coronariana aguda precipitada pela arritmia, a cardioversão elétrica
sincronizada é o tratamento de escolha. Se a cardioversão elétrica não está disponível, pode ser tentada a cardioversão
com emprego de drogas, cada uma delas indicada de acordo com os subtipos de arritmia.
Nos pacientes com taquiarritmias, estáveis hemodinamicamente, podem ser tentadas as manobras vagais,
como Valsalva, indução de tosse ou vômito, ingestão de água gelada e massagem do seio carotídeo. Se as manobras
forem ineficazes, está indicado o uso de drogas, também definidas de acordo com o subtipo da arritmia. A bradicardia
sinusal pode ser revertida com o uso de atropina. Nos casos persistentes e sintomáticos e nos bloqueios atrioventriculares
de II e III graus sintomáticos, está indicado o implante de marcapasso.
Outras possibilidades terapêuticas são o uso de desfibrilador cardioversor implantável automático e as
técnicas cirúrgicas como:
- ablação por cateter de focos ectópicos e vias anômalas;
- excisão do feixe de His, das vias de reentrada, de focos ectópicos;
- aneurismectomia ventricular;
- revascularização miocárdica;
- trocas valvares, valvoplastias;
- correção de anomalias congênitas.

Instalada e revertida a arritmia, o emprego profilático de antiarrítmicos justifica-se quando essa apresenta
caráter repetitivo, ocasiona repercussões hemodinâmicas importantes e oferece dificuldade para a sua conversão.
Jovens sem cardiopatia subjacente com episódios de taquicardia paroxística supra-ventricular, com pouca ou nenhuma
repercussão hemodinâmica, não necessitam terapêutica profilática. Deve-lhes ser esclarecida a benignidade do quadro
e ensinada a execução das manobras vagais, como a de Valsava ou vago-vagais. Se indicada terapêutica medicamentosa,
o digital é a droga de escolha na maioria dos pacientes, mesmo quando não apresentam patologia de base, devido à
sua eficácia em prevenir os ataques, à comodidade posológica e ao baixo custo. Outras drogas são também eficazes,
respeitadas suas contra-indicações.

A prevenção do tromboembolismo é importante nos pacientes com arritmia cardíaca.
A fibrilação atrial crônica ou paroxística, na presença de condições como estenose mitral,
insuficiência cardíaca, cardiomegalia, especialmente com átrio esquerdo volumoso,
acompanha-se de risco elevado de fenômenos tromboembólicos.
O mesmo acontece na cardioversão farmacológica ou elétrica. Nessas condições, a não ser na presença de contra-
indicação, os anticoagulantes devem ser empregados, pois reduzem a prevalência de fenômenos tromboembólicos.
Na cardioversão elétrica, os anticoagulantes orais devem ser iniciados de 2 a 3 semanas antes do procedimento. A
cardioversão de urgência, se necessária, será realizada independentemente do uso de anticoagulantes. Não há
necessidade de anticoagulantes para a cardioversão quando a fibrilação atrial se instala em pacientes sem insuficiência
cardíaca, cardiomegalia ou valvulopatia.


Thursday, September 10, 2015

Arritmias cardíacas - Quadro clínico e diagnóstico

Arritmias cardíacas - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
As arritmias cardíacas podem ser assintomáticas. As taquiarritmias podem se manifestar por palpitações e
por outros sintomas dependentes da repercussão hemodinâmica que ocasionam. Podem provocar hipotensão arterial,
síncope e agravamento dos sintomas de insuficiência cardíaca congestiva e insuficiência coronariana, levando à morte
súbita. As bradiarritmias sintomáticas apresentam-se por sintomas ocasionados pela repercussão hemodinâmica que
ocasionam.
O diagnóstico de suspeição é clínico, feito por exame do aparelho cardiovascular, podendo ser confirmado
pelo ECG, pelo estudo eletrocardiográfico contínuo de 12 ou 24 horas (Holter), pelo estudo eletrocardiográfico intermitente,
pela prova de esforço (teste ergométrico) ou pelos estudos eletrofisiológicos.
Outros exames específicos podem ser necessários para definição da etiologia ou de outros aspectos do
estado funcional do coração.


Wednesday, September 9, 2015

Arritmias cardíacas - Na intoxicação por agrotóxicos

Arritmias cardíacas - Na intoxicação por agrotóxicos

Na intoxicação por agrotóxicos organofosforados e carbamatos, por meio da inibição da enzima acetil-
colinesterase, há acúmulo de acetilcolina, podendo ocorrer taquicardia (por estimulação de receptores nicotínicos) e
bradicardia (por estimulação de receptores muscarínicos), além de fibrilação atrial e arritmias ventriculares do tipo
torsade de pointes.
As intoxicações por antimônio, arsênio, cobalto e mercúrio podem cursar com uma variedade de distúrbios
de condução, repolarização e do ritmo cardíaco, causados por toxicidade direta. O chumbo pode causar hipertensão
arterial, com posterior comprometimento da função cardíaca (cardiomiopatia hipertensiva), desencadeando arritmias.
Há relatos de casos de miocardite na intoxicação aguda pelo chumbo, cursando com bradicardia, distúrbios de
repolarização e bloqueio atrioventricular.
O grupo de fatores de risco psicossociais relacionados à organização do trabalho e/ou ao desemprego,
gerando situações de estresse, também podem produzir arritmias.
As arritmias cardíacas relacionadas ao trabalho podem ser classificadas dentro dos três grupos propostos
por Schilling:

GRUPO 1 - (trabalho como causa necessária) estariam aquelas que decorrem de exposições ocupacionais bem definidas,
como no caso das substâncias químicas tóxicas acima mencionadas;
GRUPO 2 - o trabalho poderia ser fator de risco contributivo no quadro de etiologia multicausal, como, por exemplo, as
arritmias cardíacas na presença de sérios problemas relacionados com o emprego e o desemprego;
GRUPO 3 - em trabalhadores ansiosos ou emocionalmente lábeis, circunstâncias de trabalho poderiam desencadear
ou agravar crises de arritmias cardíacas.


Tuesday, September 8, 2015

Arritmias cardíacas - A exposição ao monóxido de carbono

Arritmias cardíacas - A exposição ao monóxido de carbono

A exposição ao monóxido de carbono provoca uma diminuição da capacidade sangüínea
de transporte de oxigênio e uma diminuição da liberação tecidual do oxigênio, traduzida por hipoxia tissular. Essa
pode desencadear, além de isquemia ou infarto do miocárdio, vários tipos de arritmias, como fibrilação atrial ou
contrações atriais e ventriculares prematuras. A exposição ao gás arsina, além do efeito hemolítico, possui toxicidade
cardíaca direta, desencadeando distúrbios de condução, bloqueios atrioventriculares de vários graus e assistolia. A
exposição aguda aos nitratos orgânicos provoca vasodilatação generalizada com conseqüente hipotensão e
taquicardia reflexa. Em pessoas expostas cronicamente ocorre uma adaptação compensatória do organismo, por
meio de uma vasoconstrição arterial adaptativa, mediada por ativação dos sistemas nervoso simpático e renina-
angiotensina. Se a exposição aos nitratos é cessada, prevalece a ação compensatória, podendo ocorrer isquemia
miocárdica e arritmias.
Os solventes, entre eles os fluorcarbonos e os organoclorados, como clorofórmio, tetracloroetileno,
tricloroetileno, diclorometano, cloreto de metileno e 1,1,1 tricloroetano produzem efeitos cardiotóxicos por dois
mecanismos distintos, dependendo da dose a que a pessoa foi exposta. Em baixas doses, eles sensibilizam o coração
para os efeitos arritmogênicos das catecolaminas. Quando há altos níveis de exposição, os solventes podem deprimir
a atividade do nó sinusal e também a condução atrioventricular, podendo causar bradicardia sinusal, graus variados de
bloqueio atrioventricular e parada cardíaca. Esta última forma pode ocorrer, também, na exposição a outros tipos de
solventes, como hidrocarbonetos alifáticos, aromáticos, cetonas, éteres e ésteres (não-organoclorados).

Monday, September 7, 2015

Arritmias cardíacas - Epidemiologia e Fatores de risco

Arritmias cardíacas - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
As arritmias cardíacas podem ser encontradas em indivíduos normais ou cardiopatas. Entre os fatores
etiológicos estão:

FATORES CARDÍACOS LOCAIS:
cardiopatia hipertensiva, reumática, aterosclerótica, chagásica, congênita, orovalvular e
miocárdica;
DISTÚRBIOS DE OUTROS ÓRGÃOS:
sistema nervoso central (trauma crânio-encefálico, doença orgânica cerebral, ansiedade,
etc.), pulmões (DPOC levando à hipoxia tissular), patologias endócrinas (hipertireoidismo, mixedema,
diabetes mellitus pela associação com cardiopatia aterosclerótica), doenças gastrintestinais (levando a
distúrbios metabólicos) e patologias renais (com hipertensão arterial e distúrbios do balanço hidroeletrolítico);

FATORES GERAIS:
estados toxicoinfecciosos, anemias, efeitos de medicamentos, distúrbios hidroeletrolíticos e hipoxia.
A incidência/prevalência das arritmias cardíacas na população é difícil de ser determinada, dada a variedade
de subtipos e de suas possíveis etiologias. Estima-se que a taquicardia ventricular não-sustentada ocorra em 4% da
população geral, em 48% dos pacientes com infarto agudo do miocárdio nas primeiras 48h, entre 20 e 60% dos
pacientes com cardiomiopatia dilatada idiopática, entre 19 e 50% dos pacientes com cardiomiopatia hipertrófica e em
13% dos pacientes com prolapso da válvula mitral. As arritmias cardíacas podem ser conseqüência de cardiopatia per
si devidas a anormalidades na geração ou condução do impulso cardíaco ou por uma associação dessas.
A arritmia cardíaca pode, também, ser desencadeada por exposição a substâncias tóxicas, por meio de
mecanismos bem definidos.


Sunday, September 6, 2015

Arritmias cardíacas - Definição da Doença

Arritmias cardíacas - Definição da Doença

14.3.7 ARRITMIAS CARDÍACAS CID-10 I49.-

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
Arritmia cardíaca refere-se à presença de qualquer distúrbio fisiológico ou patológico que deprima ou
exacerbe, por alterações no automatismo e/ou condutividade, a formação e/ou condução do estímulo elétrico do coração.
Representam emergência/urgência médica quando produzem ou agravam distúrbios hemodinâmicos, prenunciando
risco real de morte.


Saturday, September 5, 2015

O que fazer em caso de Parada Cardiorrespiratória?

O que fazer em caso de Parada Cardiorrespiratória?

Airway - Abra a via aérea
Breathing - Realize ventilações com pressão positiva
Circulation - Faça compressões torácicas
Defibrillation - Dê choques em FV/TV sem pulso




Quadro XX
ABCD PRIMÁRIO
Execute intubação endotraqueal
Avalie a adequação da ventilação via tubo endotraqueal,
administre ventilações com pressão positiva
Obtenha acesso venoso para administração de fluidos e medicações,
providencie medicações cardiovasculares apropriadas ao ritmo cardíaco
Differential diagnosis - Identifique a possível razão da PCR*, construa um diagnóstico diferencial para identificar
causas reversíveis que tenham uma terapia específica
Quadro XXI
ABCD SECUNDÁRIO
Circulation Breathing Airway
* Parada Cardiorrespiratória

DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO





Friday, September 4, 2015

Parada cardíaca - Prevenção

Parada cardíaca - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A possibilidade de PCR relacionada ao trabalho em trabalhadores expostos a fatores etiológicos ou
predisponentes deve ser sempre antecipada, por meio da adoção de medidas preventivas eficazes e recursos para
atendimento médico adequado.
Estima-se que, em 25% dos casos de PCR, um evento imediato e prevenível, pode ser
identificado. A avaliação permanente dos fatores de risco associados à PCR presentes nos ambientes e condições de
trabalho, objetivando sua eliminação ou seu controle, constitui a base da vigilância em saúde do trabalhador.
As medidas de controle ambiental visam à eliminação ou à manutenção dos níveis de concentração ao
monóxido de carbono, a solventes e a outras substâncias químicas associadas à ocorrência de PCR próximos de zero
ou dentro dos limites estabelecidos, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;
- uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria;
- adoção de normas de higiene e segurança rigorosas, como sistemas de ventilação exaustora adequados
e eficientes;
- monitoramento ambiental sistemático;
- mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o
tempo de exposição;
- medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho e facilidades de higiene pessoal, recursos para
banhos, lavagem das mãos, braços, rosto e troca de vestuário;
- fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, em bom estado
de conservação, de modo complementar às medidas de proteção coletiva.
Deve-se buscar a modificação dos fatores da organização do trabalho que contribuem para o aparecimento
do estresse.
Pressões e demandas por maior produtividade, intensificação do trabalho e competitividade exacerbada
devem ser minimizadas, sempre que possível.
Recomenda-se a verificação da adequação e cumprimento, pelo empregador, do PPRA (NR 9), do PCMSO
(NR 7) e de outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes nos estados e municípios. Devem ser observados
os LT estabelecidos para a concentração das substâncias químicas no ar ambiente, estabelecidos pela NR 15. Para o
monóxido de carbono é de 39 ppm ou de 43 mg/m3. Esses limites devem ser comparados com aqueles adotados por
outros países e revisados periodicamente à luz do conhecimento e evidências atualizadas. Tem sido observado que,
mesmo quando estritamente obedecidos, não impedem o surgimento de danos para a saúde.
O exame médico periódico visa à identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce do risco, incluindo:
- exame clínico completo;
- exames complementares e toxicológicos, de acordo com os fatores de risco identificados: o indicador
biológico de exposição ao monóxido de carbono é a concentração de carboxiemoglobina no sangue –
VR de até 1% em não-fumantes e IBMP de 3,5% em não-fumantes;
- orientação de todos os trabalhadores expostos a fatores de risco de PCR, quanto aos procedimentos
para suporte básico à vida, capacitando-os a prestar socorro imediato às vítimas de acidentes, até que
esta possa ser atendida em um serviço especializado.
Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:
- informar ao trabalhador;
- examinar os expostos, visando a identificar outros casos;
- notificar o caso aos sistemas de informação em saúde (epidemiológica, sanitária e/ou de saúde do
trabalhador), por meio dos instrumentos próprios, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
- providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social,
conforme descrito no capítulo 5;
- orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou
controle dos fatores de risco.


Thursday, September 3, 2015

Parada cardíaca - Tratamento

Parada cardíaca - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
O potencial de sucesso das manobras de RCPC depende do local onde ocorreu a PCR, da presença de
pessoal treinado, dos equipamentos disponíveis, do mecanismo de parada cardíaca, do tempo entre a PCR e o início
da RCPC e do status clínico prévio do paciente. O tempo máximo que o cérebro humano pode suportar em anoxia não
é definido, sendo estimado em cinco minutos. A abordagem inicial do paciente em PCR deve ser sistemática. Recomenda-
se o uso do ABCD primário e secundário (Quadros XX e XXI).

O uso do bicarbonato de sódio na PCR é motivo de debate. Sua utilização pode ser definida como:
- definitivamente útil, se é conhecido que o paciente tem hipercalemia;
- aceitável e provavelmente eficaz em pacientes com conhecida ou com suspeita de acidose responsiva
a bicarbonato preexistente e acidose metabólica devida à perda de bicarbonato;
- para alcalinizar o soro em intoxicação grave por antidepressivos tricíclicos;
- aceitável e possivelmente efetiva em pacientes intubados e com PCR prolongada e em pacientes com
PCR prolongada que apresentarem retorno à circulação espontânea;
- possivelmente perigosa (não é indicada) em pacientes com acidose lática hipóxica.
No caso de PCR, colocam-se duas possibilidades: a da morte imediata ou do sucesso na reanimação. Esta
poderá ser acompanhada de seqüelas diversas, principalmente do sistema nervoso e das esferas mental e
comportamental. A avaliação da disfunção ou deficiência para fins de licença médica e concessão de benefícios deverá
ser feita empregando os indicadores e critérios utilizados na(s) esfera(s) comprometida(s).
A parada cardíaca relacionada ao trabalho é sempre um evento agudo, que pode ser considerado acidente
de trabalho típico.


Wednesday, September 2, 2015

Parada cardíaca - Quadro clínico e diagnóstico

Parada cardíaca - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
A PCR pode ocorrer por três mecanismos básicos: fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem pulso
(FV/TV), atividade elétrica sem pulso (dissociação eletromecânica) e assistolia. Qualquer que seja a causa, o indivíduo
apresenta ausência de pulso em grande artéria, ausência de movimentos respiratórios ou respiração agônica e depressão
do estado de consciência.
O diagnóstico de PCR é clínico e baseado nesses achados. O tempo é precioso e as manobras de RCPC
devem ser imediatamente iniciadas, não se delongando na ausculta cardíaca ou na instalação de monitores cardíacos.
Posteriormente, a monitorização eletrocardiográfica (idealmente) e/ou o ECG são importantes na definição do mecanismo
da parada cardíaca, cujo tratamento possui algumas especificidades. Outros exames poderão ser necessários para a
definição da causa, dependendo de cada paciente.


Tuesday, September 1, 2015

Parada cardíaca - Epidemiologia e Fatores de risco

Parada cardíaca - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
A ocorrência e a distribuição da PCR estão ligadas à incidência/prevalência da patologia de base responsável
pelo quadro. Várias causas, cardíacas e não-cardíacas, podem terminar em PCR, entre elas a obstrução de vias
aéreas, depressão respiratória por medicamentos e substâncias tóxicas, pneumopatias, convulsões, embolia pulmonar,
aspiração pulmonar, infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas, tamponamento cardíaco, choques, distúrbios
hidroeletrolíticos e ácido-básicos, hipoglicemia, síndromes neurológicas e eletrocussão.
Os acidentes elétricos, a intoxicação grave por substâncias tóxicas, como, por exemplo, solventes, monóxido
de carbono e outros agentes potencialmente causadores de arritmias cardíacas podem cursar com PCR (ver, também,
o protocolo Arritmias cardíacas relacionadas ao trabalho - 14.3.7).