Saturday, July 2, 2016

Fibromatose da fáscia palmar - Definição da Doença

Fibromatose da fáscia palmar - Definição da Doença

18.3.7 FIBROMATOSE DA FÁSCIA PALMAR: CONTRATURA OU MOLÉSTIA DE DUPUYTREN CID-10 M72.0

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
Entidade clínica caracterizada por espessamento e retração da fáscia palmar, acarretando contratura em
flexão dos dedos e incapacidade funcional das mãos. Na fase inicial da doença de Dupuytren há formação de nódulos
na face palmar das mãos, que evoluem formando cordas fibrosas, que podem ser percebidas à palpação. Essas
cordas são originadas na fáscia palmar retraída por baixo da pele. Na fase residual, os nódulos desaparecem, perma-
necendo apenas focos de aderência e cordas fibrosas reacionais.


Friday, July 1, 2016

Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso - Tratamento e Prevenção

Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso - Tratamento e Prevenção

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
O tratamento deve seguir os princípios gerais descritos na introdução deste capítulo.

5 PREVENÇÃO
A prevenção dos transtornos dos tecidos moles relacionados ao trabalho requer avaliação e monitoramento
das condições e dos ambientes de trabalho, particularmente do modo como as tarefas são realizadas, especialmente
nas atividades que envolvem esforço repetitivo, movimentos bruscos, uso de força, posições forçadas e por tempo
prolongado de segmentos corporais e articulações (joelhos, tornozelos, cotovelo e punhos). Entre os expostos desta-
cam-se: trabalhadores domésticos, serviços de limpeza, ocupações da indústria da construção; algumas atividades de
operação e de manutenção de equipamentos, como na indústria petrolífera, petroquímica, atividades em serviços de
saúde, como manejo de pacientes, de macas e equipamentos, entre outras.
A prevenção desses agravos requer uma ação integrada e articulada entre os setores assistenciais e os de
vigilância. É importante que o paciente seja cuidado por uma equipe multiprofissional, com abordagem interdisciplinar,
capacitada a intervir e a dar suporte aos sofrimentos físico e psíquico do trabalhador e aos aspectos sociais e de
intervenção nos ambientes de trabalho.

A intervenção sobre os ambientes de trabalho deve basear-se em análise criteriosa e global da organiza-
ção do trabalho, que inclui:
- análise ergonômica do trabalho (real), da atividade, do conteúdo das tarefas, dos modos operatórios e
dos postos de trabalho, do ritmo e da intensidade do trabalho, dos fatores mecânicos e condições
físicas dos postos de trabalho, das normas de produção, dos sistemas de turnos, dos sistemas de
premiação, dos incentivos, dos fatores psicossociais, individuais e das relações de trabalho entre cole-
gas e chefias;
- medidas de proteção coletiva e individual implementadas pelas empresas;
- estratégias de defesa, individuais e coletivas, adotadas pelos trabalhadores.
Recomenda-se observar a adequação e o cumprimento, pelo empregador, do PPRA (NR 9) e do PCMSO
(NR 7), segundo a Portaria/MTb n.º 3.214/1978, além de outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes
nos estados e municípios. Para promoção da saúde do trabalhador e prevenção dos transtornos dos tecidos moles
relacionados ao trabalho, devem ser observadas as prescrições contidas na NR 17, que estabelece parâmetros para
avaliação e correção de situações e condições de trabalho, do ponto de vista ergonômico.
É importante garantir a participação dos trabalhadores e a sensibilização dos níveis gerenciais para a
implementação das modificações na organização do trabalho.
O exame médico periódico visa à identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença,
por meio de:
- avaliação clínica com pesquisas de sinais e sintomas, por meio de protocolo padronizado e exame
físico acurado;
- exames complementares orientados pela exposição ocupacional;
- informações epidemiológicas.

Mais importante do que a realização de exames complementares são as pesquisas de sinais e sintomas
dolorosos, de sobrecarga de estruturas músculo-esqueléticas, sintomas neurovegetativos, psíquicos, e um exame
físico criterioso para a detecção precoce dos casos.
Recomenda-se o monitoramento clínico por meio da aplicação de instrumentos padronizados de pesqui-
sas de sintomas referidos. Não está justificado o uso de exames de imagem (raio X e outros) nos exames pré-admissionais
e periódicos. Aplicam-se somente nos casos em que é necessário firmar diagnóstico e realizar diagnóstico diferencial.


Thursday, June 30, 2016

Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso - Quadro clínico e diagnóstico

Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
O quadro clínico caracteriza-se por manifestações de dor tipo miofascial com pontos gatilho ou bandas
dolorosas associadas ou não com queixas de dor aos movimentos em trajetos de tendões, que geralmente acome-
tem difusamente os membros superiores e região cervical.
As bursites resultam de um processo inflamatório que acomete as bursas, pequenas bolsas de paredes
finas, constituídas de fibras colágenas e revestidas de membrana sinovial, encontradas em regiões em que os
tecidos são submetidos à fricção, geralmente próxima a inserções tendinosas e articulações. Sua localização mais
importante é nos ombros, mas podem ser encontradas em outras regiões.

Os quadros de bursite que acometem o joelho, particularmente a bursite infrapatelar, podem ser obser-
vados, com muita freqüência, em indivíduos que trabalham ajoelhados, como os aplicadores de carpetes, trabalha-
dores domésticos, faxineiros, religiosos e mineradores.
Os cistos sinoviais são decorrentes da degeneração mixóide do tecido sinovial, podendo aparecer em
articulações, tendões, polias e ligamentos. São tumorações císticas, circunscritas, únicas ou múltiplas, geralmente
indolores, localizando-se, freqüentemente, no dorso do punho. O aparecimento de um cisto sinovial é um sinal de
comprometimento inflamatório localizado, com degeneração tecidual variável.
As epicondilites são provocadas por ruptura ou estiramento dos pontos de inserção dos músculos flexores
ou extensores do carpo no cotovelo, ocasionando processo inflamatório local que atinge tendões, fáscias muscula-
res e tecidos sinoviais. No epicôndilo lateral inserem-se especialmente os músculos extensores e, no epicôndilo
medial, os músculos flexores. Na epicondilite medial pode haver comprometimento do nervo ulnar e na epicondilite
lateral pode haver comprometimento do nervo radial decorrente da proximidade dessas estruturas.

É importante destacar que também nesse grupo de entidades tem sido observado agravamento ou
precipitação dos quadros quando, ao esforço repetitivo, se superpõe a exigência do uso de força e de posições
viciosas ou forçadas.
Nas epicondilites, sobressai a dor nos epicôndilos lateral e medial decorrente do processo inflamatório
local, próximo às inserções dos músculos extensores e flexores, respectivamente. Os movimentos fortes, bruscos
de prono-supinação com o cotovelo em flexão, podem desencadear o quadro de dor. Essa é geralmente localizada
na área dos epicôndilos, mas, se não tratada, pode se tornar difusa, irradiando-se tanto na direção dos ombros
quanto das mãos. A dor é exacerbada pelo movimento das mãos e punhos e durante a prono-supinação, podendo
ser desencadeada pela palpação da massa muscular adjacente.
Nas bursites, o quadro clínico é caracterizado pela dor exacerbada pelo movimento das estruturas en-
volvidas. A identificação de um ponto sensível e doloroso, geralmente sobre a protuberância óssea, constitui um
achado importante para selar o diagnóstico.
O diagnóstico baseia-se na história clínica, no exame físico e na análise do trabalho.


Wednesday, June 29, 2016

Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso - Epidemiologia e Fatores de risco

Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
De modo geral, essas patologias ou queixas associadas são estudadas isoladamente, conforme visto na
Introdução deste capítulo. Para maiores detalhes, ver a extensa revisão organizada por Kuorinka & Forcier (1995).

Tuesday, June 28, 2016

Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso - Definição da Doença

Transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso - Definição da Doença

18.3.6 TRANSTORNOS DOS TECIDOS MOLES RELACIONADOS COM O USO, O USO EXCESSIVO E A PRESSÃO, DE ORIGEM OCUPACIONAL: CID-10 M70.-
SINOVITE CREPITANTE CRÔNICA DA MÃO E DO PUNHO M70.0
BURSITE DA MÃO M70.1
BURSITE DO OLÉCRANO M70.2
OUTRAS BURSITES DO COTOVELO M70.3
OUTRAS BURSITES PRÉ-ROTULIANAS M70.4
OUTRAS BURSITES DO JOELHO M70.5
OUTROS TRANSTORNOS DOS TECIDOS MOLES RELACIONADOS COM O USO,
O USO EXCESSIVO E A PRESSÃO M70.8
TRANSTORNO NÃO-ESPECIFICADO DOS TECIDOS MOLES RELACIONADO COM O USO,
O USO EXCESSIVO E A PRESSÃO M70.9

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
As bursites são inflamações agudas ou crônicas de uma bolsa serosa, que se apresentam como:
- sinovite crepitante crônica da mão e do punho (M70.0), bursite da mão (M70.1), bursite do cotovelo (do
olécrano) (M70.2), podem aparecer associadas com exigências ocupacionais prolongadas no tempo
ou como seqüelas de traumatismos eventuais;
- outros transtornos dos tecidos moles relacionados com o uso, o uso excessivo e a pressão (M70.8) e
transtornos não-especificados dos tecidos moles relacionados com o uso, o uso excessivo e a pressão
(M70.9).

Manifestam-se por dor tipo miofascial com pontos gatilho ou bandas dolorosas, associadas ou não a quei-
xas de dor nos movimentos em trajetos de tendões, que geralmente acometem difusamente os membros superiores e
a região cervical.
O diagnóstico é clínico, baseando-se nos elementos de história e no exame físico.
O tratamento inclui repouso, inativação de pontos gatilho com meios diversos (massoterapia, meios físicos,
infiltração, acupuntura, etc). As técnicas de relaxamento mostram papel coadjuvante importante, assim como medidas
de reeducação postural e adequação ergonômica de postos, ambientes e condições de trabalho.
Outros cistos de bolsa sinovial SOE (M71.3) são tumefações císticas ou herniações de sinóvias que se
desenvolvem nas vizinhanças das articulações e dos tendões, principalmente em punhos e mãos, contendo líquido
sinovial, que aparecem como lesões agudas, em situações de trabalhos manuais com exigência de força, após trau-
mas ou lesões crônicas recorrentes.

O quadro clínico caracteriza-se por tumefação esférica (visível ou apenas palpável), geralmente localizada
na face extensora do carpo, única, macia, indolor ou que aumenta de tamanho e dói com a atividade. A compressão
relacionada a estruturas próximas também pode desencadear sintomatologia.
É mais freqüente em mulheres e/ou em associação com laxidão ligamentar. O teste de instabilidade de
escafóide pode ser positivo.
O diagnóstico é clínico. A radiografia simples pode mostrar instabilidade entre escafóide e semilunar.
Pode involuir espontaneamente. Quando sintomático, pode ceder com splint e/ou modificações da atividade. Pun-
ção, infiltração e cirurgia são indicadas em casos rebeldes.


Monday, June 27, 2016

A prevenção das sinovites e tenossinovites relacionadas ao trabalho - Prevenção

A prevenção das sinovites e tenossinovites relacionadas ao trabalho - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção das sinovites e tenossinovites relacionadas ao trabalho requer avaliação e monitoramento das
condições e dos ambientes de trabalho, particularmente do modo como as tarefas são realizadas, atividades que
envolvem posições forçadas e gestos repetitivos e/ou ritmo de trabalho penoso e/ou condições difíceis de trabalho,
como, por exemplo, nos trabalhos em terminais de computador; de controle de qualidade e empacotamento; trabalhos
em linhas de montagem industrial; atividades de corte de alimentos; uso de ferramentas e controle manual de máqui-
nas; entre outras. Requer uma ação integrada, articulada entre os setores assistenciais e os de vigilância. É importante
que o paciente seja cuidado por uma equipe multiprofissional, com abordagem interdisciplinar, capacitada a dar supor-
te ao sofrimento físico e psíquico do trabalhador e aos aspectos sociais e de intervenção nos ambientes de trabalho.
A intervenção sobre os ambientes de trabalho deve basear-se na análise criteriosa e global da organização
do trabalho, que inclui:
- análise ergonômica do trabalho real, da atividade, do conteúdo das tarefas, do modo operatório e dos
postos de trabalho; do ritmo e da intensidade do trabalho; dos fatores mecânicos e condições físicas
dos postos de trabalho; das normas de produção; dos sistemas de turnos, dos sistemas de premiação,
dos incentivos, dos fatores psicossociais, individuais e das relações de trabalho entre
colegas e chefias;
- medidas de proteção coletiva e individual implementadas pelas empresas;
- estratégias de defesa, individuais e coletivas, adotadas pelos trabalhadores.
Recomenda-se observar a adequação e o cumprimento, pelo empregador, do PPRA (NR 9) e do PCMSO
(NR 7), segundo a Portaria/MTb n.º 3.214/1978, além de outros regulamentos –
sanitários e ambientais – existentes
nos estados e municípios. Para promoção da saúde do trabalhador e prevenção das sinovites e tenossinovites relaci-
onadas ao trabalho, devem ser observadas as prescrições contidas na NR 17, que estabelece parâmetros para avali-
ação e correção de situações e condições de trabalho do ponto de vista ergonômico.

É importante garantir a participação dos trabalhadores e a sensibilização dos níveis gerenciais para a
implementação das modificações na organização do trabalho.
O exame médico periódico, incluído no PCMSO (NR 7), visa à identificação de sinais e sintomas para a
detecção precoce da doença, por meio de:
- avaliação clínica, com pesquisas de sinais e sintomas, por meio de protocolo padronizado e exame físico
acurado;
- exames complementares orientados pela exposição ocupacional;
- informações epidemiológicas.

Mais importante do que a realização de exames complementares são as pesquisas de sinais e sintomas
dolorosos, de sobrecarga de estruturas músculo-esqueléticas, sintomas neurovegetativos, psíquicos, e um exame físico
criterioso para a detecção precoce dos casos. Recomenda-se o monitoramento clínico por meio da aplicação de instrumentos
padronizados de pesquisa de sintomas referidos. Não está justificado o uso de exames de imagem (raio X e outros) nos
exames pré-admissionais e periódicos. Aplicam-se somente nos casos em que é necessário firmar diagnóstico e realizar
diagnóstico diferencial.


Sunday, June 26, 2016

Tratamento e outras condutas - Tratamento

Tratamento e outras condutas - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
Os princípios gerais citados na introdução deste capítulo devem ser aplicados. Além disso, recomenda-se
repouso com afastamento da atividade, splint noturno de interfalangeana proximal (IFP) em 30º de flexão e AINE. O
uso de infiltrações locais ainda encontra defensores, embora, aparentemente, sua utilização venha diminuindo. A
liberação cirúrgica pode ser indicada quando o tratamento conservador não encontra boa resposta clínica.


Saturday, June 25, 2016

Quadro clínico e diagnóstico - Quadro clínico e diagnóstico

Quadro clínico e diagnóstico - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
Aspectos específicos dos diversos quadros clínicos foram descritos no item anterior. De modo geral, os
quadros de tendinites ou tenossinovites caracterizam-se, nas fases agudas, por presença de dor e sinais inflamatórios
no trajeto das estruturas afetadas e/ou em inserções ósseas de tendões. Classicamente, as dores aumentam com
movimentos passivos, ativos e/ou contra-resistência das estruturas afetadas. Os manuais de ortopedia e/ou de exame
físico mostram testes específicos para a maioria das entidades definidas.


Friday, June 24, 2016

Epidemiologia – fatores de risco de natureza ocupacional conhecidos - Epidemiologia e Fatores de risco

Epidemiologia – fatores de risco de natureza ocupacional conhecidos - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
O desenvolvimento das sinovites e tenossinovites, como de outras LER/DORT, é multicausal, sendo
importante analisar os fatores de risco direta ou indiretamente envolvidos, conforme mencionado na introdução
deste capítulo.
A sinovite e a tenossinovite, em determinados grupos ocupacionais, excluídas as causas não-ocupacionais
e ocorrendo condições de trabalho com posições forçadas e gestos repetitivos e/ou ritmo de trabalho penoso e/ou
condições difíceis de trabalho, podem ser classificadas como doenças relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Clas-
sificação de Schilling, em que o trabalho pode ser considerado co-fator de risco, no conjunto de fatores associados com
a etiologia multicausal dessas entidades.


Thursday, June 23, 2016

Outras sinovites e tenossinovites

Outras sinovites e tenossinovites

OUTRAS SINOVITES E TENOSSINOVITES (M65.8) E SINOVITE E TENOSSINOVITE NÃO ESPECIFICADAS (M65.9)
Esse grupo inclui vários quadros que podem aparecer com diagnóstico específico referido à sede de lesão
bem identificada (tendinite ou tenossinovite de extensor radial de carpo, de extensor comum de dedos, de braquioradial,
etc.) ou não (tenossinovite ocupacional, etc.).
Estão associados a exposições ocupacionais com movimentos repetitivos de mãos e dedos, particular-
mente com desvios ulnar ou radial ou dorsoflexão, flexão, pronação ou supinação de punhos, contração estática de
dedos mantida por tempo prolongado ou associada a esforço, contato de pele com superfícies duras, digitação com
punho e/ou com antebraço apoiados, fixação antigravitacional de punhos, posto de trabalho inadequado, ritmos acele-
rados, sobrecarga de produção, horas extras e pausas inadequadas.

Na maioria dos quadros, o paciente queixa-se de dor, diminuição de força, sensação de peso, desconforto
em trajeto de tendões afetados e na massa muscular em questão. O diagnóstico dos quadros específicos é essencial-
mente clínico, podendo ser auxiliado pelo uso de ultra-sonografia realizada por profissional com experiência em exame
de partes moles, realizado sempre bilateralmente de modo a permitir comparação. O resultado do exame deve descre-
ver eventuais alterações a serem interpretadas sempre em correlação com a clínica e, por isso mesmo, não devem
incluir conclusão diagnóstica, já que essa deve ficar por conta do médico assistente.
O diagnóstico baseia-se na história e exame clínico. Exames complementares, como radiografia das par-
tes atingidas e ultra-sonografia, podem ser úteis para confirmação das observações clínicas ou diagnóstico diferencial.


Wednesday, June 22, 2016

Tenossinovite do estilóide radial de quervain

Tenossinovite do estilóide radial de quervain

TENOSSINOVITE DO ESTILÓIDE RADIAL (DE QUERVAIN) (M65.4)
Resulta da constrição da bainha comum dos tendões do abdutor longo e do extensor curto do polegar.
Ocorrência mais freqüente em mulheres em grupos populacionais acima de 40 anos de idade tem sido associada a
exposições ocupacionais que exigem movimentos repetitivos de polegar, pinça de polegar associada à flexão, exten-
são, rotação ou desvio ulnar repetido do carpo, principalmente se associado com força, polegar mantido elevado e/ou
abduzido durante atividades (polegar alienado) e uso prolongado de tesouras.

O quadro clínico caracteriza-se por dor em projeção de processo estilóide do rádio com ou sem irradiação
em projeção radial até o ombro e que aumenta com abdução radial ativa do polegar, com alongamento passivo de
abdutor longo de polegar, desvio ulnar do punho, dificuldade para pronosupinação ou pinça. Geralmente é unilateral.
O exame físico pode evidenciar tumefação na região afetada, sinal de Finkelstein, dor à palpação no
processo estilóide e trajeto de tendões que aumenta com extensão e abdução do polegar em contra-resistência. O
diagnóstico diferencial deve ser feito com osteoartrite da primeira carpo metacarpiana ou rizartrose.

Tuesday, June 21, 2016

Sinovites e tenossinovites - queixas

Sinovites e tenossinovites - queixas

Além da dor, os pacientes queixam-se de:
- parestesia;
- edema subjetivo;
- rigidez matinal;
- alterações subjetivas de temperatura e limitação dos movimentos (os sintomas sensitivos, quando
presentes, estão relacionados à compressão de nervos periféricos ou de raízes nervosas,
correspondendo à sua distribuição);
- repercussão sobre o trabalho, com diminuição da produtividade;
- sintomas gerais associados de ansiedade, irritabilidade, alterações de humor em 100% dos pacientes,
distúrbios do sono em 91% dos pacientes, fadiga crônica em 84% dos pacientes e cefaléia tensional em
61% dos casos (Miller & Topliss, 1988).

DEDO EM GATILHO (M65.3)
Resulta do comprometimento dos tendões flexores profundos dos dedos e do tendão flexor longo do pole-
gar. A bainha tendinosa apresenta-se espessada em decorrência do processo inflamatório provocado por traumatismos
repetidos, que evolui para a constrição do próprio tendão. O quadro é agravado pelo derrame do líquido sinovial,
tornando difícil o deslizamento do tendão. A extensão forçada poderá provocar queda do dedo em flexão, manifestação
que dá nome ao quadro.
É desencadeado por situações em que existe uma combinação de movimentos repetitivos com esforço,
como o de preensão forte, flexão de dedos e/ou de falanges distais, compressão palmar, na atividade de segurar com
firmeza objetos cilíndricos e, especialmente, se há compressão em cima da bainha sinovial de tendões. A pressão
localizada, mesmo isoladamente, pode ser causa de tendinite, como, por exemplo, na preensão de alicate ou tesoura
contra o tendão flexor longo do polegar.
No quadro clínico destaca-se a dificuldade e/ou impossibilidade de estender os dedos, observando-se um
estalido doloroso ao se forçar o movimento, que pode afetar qualquer dedo, dor à palpação e nódulo na altura da
primeira polia de flexores (articulação metacarpofalangeana).
O diagnóstico diferencial deve ser feito em quadros reumáticos e/ou degenerativos, situação em que a
radiografia simples de mãos assume grande importância.

Monday, June 20, 2016

Sinovites e tenossinovites - Definição da Doença

Sinovites e tenossinovites - Definição da Doença

18.3.5 SINOVITES E TENOSSINOVITES: CID-10 M65.-
DEDO EM GATILHO M65.3
TENOSSINOVITE DO ESTILÓIDE RADIAL (DE QUERVAIN) M65.4
OUTRAS SINOVITES E TENOSSINOVITES M65.8
SINOVITES E TENOSSINOVITES NÃO-ESPECIFICADAS M65.9

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
Doenças inflamatórias que comprometem as bainhas tendíneas e os tendões, em decorrência das exigên-
cias do trabalho. Podem ser de origem traumática, agudas, decorrentes de acidentes típicos ou de trajeto, se forem
relacionadas ao trabalho. Os casos crônicos estão, geralmente, associados a trabalhos com movimentos repetitivos
aliados à exigência de força.
O quadro clínico varia com o segmento atingido e recebe denominações específicas:
SINOVITE é a inflamação dos tecidos sinoviais. É um termo de ampla abrangência, aplicável a qualquer processo infla-
matório que acometa tecidos sinoviais articulares, intermusculares ou peritendinosos, em qualquer local do
corpo, com ou sem degeneração tecidual. O diagnóstico deve ser acompanhado da especificação dos
locais envolvidos e de sua etiologia.

TENOSSINOVITE é a inflamação dos tecidos sinoviais que envolvem os tendões em sua passagem por túneis osteofibro-
sos, polias e locais em que a direção da aplicação da força é mudada. Esse termo pode ser aplicado aos
processos inflamatórios de qualquer etiologia, que acometam esses tecidos, com ou sem degeneração
tecidual. Pode se desenvolver em qualquer localização em que um tendão passe através de uma capa ou
de um conduto osteoligamentoso, devendo ser especificado(s) o(s) local(is) atingido(s) e sua etiologia.

TENDINITES são inflamações do tecido próprio dos tendões, com ou sem degeneração de suas fibras. O termo, de ampla
abrangência, é aplicável a todo e qualquer processo inflamatório dos tendões, em qualquer local do corpo.
Quando os músculos acometidos possuem uma cobertura ou bainha sinovial, o processo é denominado de
tenossinovite e, quando não a possuem, é chamado de tendinite.

FASCIITES são inflamações de fáscias e de ligamentos com ou sem degeneração de suas fibras. O termo é aplicável a
todo e qualquer processo inflamatório que atinja qualquer ligamento ou fáscia em qualquer lugar do corpo.
No quadro clínico das sinovites e tenossinovites, a manifestação mais importante é a dor, que leva à procura
de assistência médica. Na maioria dos casos, o paciente tem dificuldade para definir o tipo e a localização da dor que pode
ser generalizada. É comum o relato de dor que é desencadeada ou agravada pelo movimento repetitivo e, nas fases
iniciais, costuma ser aliviada pelo repouso. Segundo observação de Sikorski (1988), existem três padrões de dor, cujo
início guarda uma relação com a atividade, o que pode servir de critério para a caracterização do nexo ocupacional:

MÚSCULO-TENDINOSA: é o tipo mais comum. Localiza-se sobre os músculos ou tendões, é agravada pela contração
muscular e possui caráter difuso;

NEVRÁLGICA: localiza-se na distribuição dos nervos periféricos ou raízes nervosas, pode ser acompanhada de parestesia
e de entorpecimento na mesma distribuição ou generalizada pelo corpo, irradiada a partir do sítio de dor no
membro superior;

ARTICULAR: localiza-se em uma ou mais articulações.
A dor costuma ter seu início gradual, inicialmente restrita a uma região anatômica (punho, ombro ou coto-
velo), acomentendo apenas o braço dominante, raramente os dois. Pode piorar com o uso do membro, pela exposição
ao frio ou a mudanças bruscas de temperatura ou ainda ao estresse emocional.


Sunday, June 19, 2016

Dorsalgia - Prevenção

Dorsalgia - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção das dorsalgias relacionadas ao trabalho requer avaliação e monitoramento das condições e
dos ambientes de trabalho, incluindo os modos como as tarefas são realizadas, especialmente nas atividades que
envolvem levantamento de peso, trabalho sentado, posições forçadas e contratura estática ou imobilização, por tempo
prolongado, de segmentos da coluna dorso-lombar e vibrações do corpo inteiro. Destacam-se as ocupações da indús-
tria da construção, algumas atividades de operação e de manutenção de equipamentos, como nas áreas petrolífera,
petroquímica, de eletricidade, de telefonia, portuária, de agricultura, de condução de ônibus e caminhões, atividades
em serviços de saúde, como manejo de pacientes, macas e equipamentos, entre outras.

É importante que o paciente seja cuidado por uma equipe multiprofissional, com abordagem interdisciplinar,
capacitada a lidar com os aspectos de suporte aos sofrimentos físico e psíquico do trabalhador e os aspectos sociais
e de intervenção nos ambientes de trabalho, em uma ação articulada entre os setores assistenciais e os de vigilância.
A intervenção sobre os ambientes de trabalho deve basear-se na análise criteriosa e global da organização
do trabalho, que inclui:
- análise ergonômica do trabalho (real), da atividade, do conteúdo das tarefas, dos modos operatórios e dos
postos de trabalho, do ritmo e da intensidade do trabalho, dos fatores mecânicos e condições físicas dos
postos de trabalho, das normas de produção, dos sistemas de turnos, dos sistemas de premiação, dos
incentivos, dos fatores psicossociais, individuais e das relações de trabalho entre colegas e chefias;
- medidas de proteção coletiva e individual implementadas pelas empresas;
- estratégias de defesa, individuais e coletivas, adotadas pelos trabalhadores;
- participação dos trabalhadores e sensibilização dos níveis gerenciais para a implementação das modi-
ficações na organização do trabalho.

Recomenda-se observar a adequação e cumprimento, pelo empregador, do PPRA (NR 9) e do PCMSO
(NR 7), segundo a Portaria/MTb n.º 3.214/1978, além de outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes
nos estados e municípios. Para promoção da saúde do trabalhador e prevenção das dorsalgias relacionadas ao traba-
lho devem ser observadas as prescrições contidas na NR 17, que estabelece parâmetros para avaliação e correção de
situações e condições de trabalho, do ponto de vista ergonômico.
O exame médico periódico visa à identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença,
por meio de:
- avaliação clínica com pesquisas de sinais e sintomas, por meio de protocolo padronizado e exame
físico acurado;
- exames complementares orientados pela exposição ocupacional;
- informações epidemiológicas;
- orientação dos trabalhadores.

Mais importante do que a realização de exames complementares é a pesquisa de sinais e sintomas
dolorosos, de sobrecarga de estruturas músculo-esqueléticas, sintomas neurovegetativos, psíquicos, e um exame
físico criterioso para a detecção precoce dos casos. Recomenda-se o monitoramento clínico, por meio da aplicação
de instrumentos padronizados de pesquisa de sintomas referidos. Não está justificado o uso de exames de imagem
(RX e outros) nos exames pré-admissionais e periódicos. Aplicam-se somente nos casos em que é necessário
firmar diagnóstico e realizar diagnóstico diferencial.


Saturday, June 18, 2016

Dorsalgia - Tratamento

Dorsalgia - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
Os princípios gerais citados na introdução deste capítulo devem ser aplicados. Há grande variedade de
tratamentos. A abordagem medicamentosa pode incluir:
- repouso no leito, nos casos agudos com posição supina, pernas levantadas de 7 a 10 dias;
- analgésicos (particularmente se está contra-indicado o uso de AINE);
- antiinflamatórios;
- relaxantes musculares e antidepressivos tricíclicos (particularmente em caso de dor crônica);
- fisioterapia passiva: calor superficial ou profundo (ultra-som), resfriamento, massagem relaxante,
mobilização segmentar da coluna e estimulação nervosa transcutânea;
- fisioterapia ativa, com exercícios e reeducação postural;
- medidas de educação e orientação dos pacientes (ginástica, técnicas de relaxamento e mudanças
de estilo de vida);
- a cirurgia pode ser indicada em uma proporção mínima de pacientes.


Friday, June 17, 2016

Dorsalgia - Quadro clínico e diagnóstico

Dorsalgia - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
O quadro clínico é caracterizado por dor na região cervical posterior, que piora com movimentos e
tensão, podendo irradiar para o braço (dor referida). Pode associar-se a queixas de fraqueza, fadiga muscular,
tontura e parestesias que não acometem território especifico, além de aumento do tônus ou contratura muscular
com pontos de dor miofascial ou bandas dolorosas em musculatura cervical, da base do crânio e dos ombros.
O exame físico pode evidenciar áreas de rigidez muscular com dor à palpação em fibras superiores de
trapézio, elevador de escápula, supra-espinhoso, rombóides, diminuição da lordose cervical e queda dos ombros.
Os quadros de ciática (M54.3) e lumbago com ciática (M54.4) são caracterizados por dor intermitente na
coluna lombar, que piora com movimentos ou com aumentos de pressão intra-abdominal (tosse, espirros, defeca-
ção) e que irradia pela face posterior da coxa até a face lateral do tornozelo e pé. Pode evoluir para uma degenera-
ção do disco intervertebral, hérnia de disco, osteoartrose e/ou osteófitos da coluna e história de traumas da coluna.
Ao exame clínico, é importante descrever cuidadosamente a dor: forma de instalação, duração, freqüência,
localização, com identificação do ponto de maior intensidade, presença ou não de irradiação e fatores de melhora e de
piora. O exame físico detalhado deve incluir inspeção, palpação, exame de movimentos (flexão, extensão, lateralidade
e rotação) e neurológico, incluindo marcha, teste de Lasègue, força muscular, testes de sensibilidade e reflexos
patelar e aquileu.

Os exames complementares a serem solicitados dependerão das hipóteses diagnósticas firmadas. A
hemossedimentação ajuda a diferenciar os quadros mecânicos dos inflamatórios. A radiografia simples da coluna
pode dar informações úteis, porém, em pacientes acima de 50 anos, podem ser encontradas alterações degenerativas
sem relação com o quadro clínico. A tomografia e a ressonância magnética podem confirmar existência de altera-
ções, embora por razões de custo e facilidades de acesso não devam ser solicitadas indiscriminadamente. A
eletroneuromiografia pode ser indicada, particularmente se há dúvida acerca de comprometimento da raiz nervosa.
O diagnóstico baseia-se em:
- história clínica (importante a exclusão de história de lesão de disco intervertebral, de traumatismos
ou de espondilite anquilosante);
- exame físico;
- exames complementares.