Sunday, August 31, 2014

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Prevenção

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção da neoplasia maligna da cavidade nasal e dos seios paranasais relacionada ao trabalho
baseia-se nos procedimentos de vigilância dos ambientes, das condições de trabalho e dos efeitos ou danos para a
saúde, descritos na introdução deste capítulo.
O controle ambiental da exposição ao cromo e níquel, níquel e poeiras de madeira, entre outros agentes,
pode, efetivamente, reduzir a incidência da doença nos grupos ocupacionais de risco.
As medidas de controle ambiental
visam à eliminação da exposição ou à redução a níveis de concentração próximos de zero,
por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho ou o emprego de sistemas
hermeticamente fechados;
- normas de higiene e segurança rigorosas e de limpeza dos locais de trabalho, com limpeza a úmido ou
lavagem com água das superfícies do ambiente (bancadas, paredes, solo) ou por sucção, para retirada
de partículas antes do início das atividades;
- sistemas de ventilação exaustora adequados e eficientes e monitoramento sistemático das concentrações
de fumos, névoas e poeiras no ar ambiente;
- mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o
tempo de exposição;
- em atividades de mineração, além dessas, devem ser adotadas técnicas de perfuração a úmido para
diminuir concentração de poeiras no ar ambiente e o uso de máscaras protetoras respiratórias. Se os
níveis forem acima dos aceitáveis, pode ser necessário o uso de equipamentos de ar mandado;
- fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual, de forma complementar às
medidas de proteção coletiva.


Saturday, August 30, 2014

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Tratamento

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
A cirurgia é indicada devido à freqüência de comprometimento ósseo. A radioterapia é, quase sempre,
necessária porque as margens deixadas pela ressecção são geralmente estreitas. Nos tumores da cavidade nasal, dá-
se preferência à radioterapia para o tratamento das lesões iniciais. Caso haja comprometimento ósseo, ou se o tumor
é um melanoma ou sarcoma, a cirurgia estará indicada. Nas lesões avançadas, indica-se a ressecção cirúrgica e
radioterapia combinadas.
Estudos de seguimento de pacientes que se submeteram a tratamento combinado cirurgia-radioterapia
mostram, em média, uma sobrevida de 5 anos em cerca de 40% dos pacientes. Casos bem localizados e delimitados
poderão alcançar uma sobrevida mais prolongada.
Os critérios para avaliar e estagiar a deficiência produzida pela doença, quando ocorre, incluem: os transtornos
do olfato; transtornos respiratórios por estenose nasal; lesões mutilantes e perdas de substância; rinorréia ou formas
combinadas. O desenvolvimento de parosmias (odores anormais) ou de anosmia residual, pós-tratamento, poderá
provocar impactos importantes sobre o trabalhador, tanto em seus mecanismos de defesa, nas exposições a substâncias
químicas tóxicas ou perigosas, quanto na sua capacidade de trabalho, dependendo de sua atividade profissional.
Eventuais danos estéticos poderão ser valorizados, na perspectiva da Medicina do Seguro e da legislação civil e
criminal.


Friday, August 29, 2014

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Quadro clínico e diagnóstico

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
Os sinais e sintomas assemelham-se aos de uma sinusite inflamatória, incluindo dor local, hiperestesia,
odontalgia, secreção nasal sanguinolenta, queda dos dentes, maus-ajustes de dentaduras. Podem surgir, ainda, distúrbios
visuais, proptose, obstrução nasal, massa protrusa na bochecha, que pode ulcerar através da pele e do palato.
A rinoscopia, sinoscopia e tomografia computadorizada ou ressonância magnética da área comprometida
devem ser realizadas. A presença de destruição óssea, ao exame radiológico, favorece a suspeita de processos
neoplásicos, embora possa ocorrer em certas condições benignas.


Thursday, August 28, 2014

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Epidemiologia e Fatores de risco

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
Conhece-se pouco sobre a etiologia e os fatores predisponentes, embora se considere que o consumo
excessivo de álcool, o tabagismo e a deficiente higiene oral possam desempenhar papel favorecedor. O tempo de
latência é relativamente longo, quase sempre superior a 20 ou a 25 anos. Entre os agentes etiológicos e fatores de
risco de natureza ocupacional mais conhecidos para estes tumores estão:
- radiações ionizantes;
- cromo e seus compostos (provavelmente sais de cromo hexavalente);
- processo de refino do níquel;
- produção de álcool isopropílico (processo de ácido forte, provavelmente por exposição a alquil-sulfato,
produzido no processo);
- poeiras de madeira e outras poeiras orgânicas da indústria do mobiliário (produção de adeno-carcinomas);
- poeiras da indústria do couro;
- poeiras orgânicas (na indústria têxtil e em padarias).
Os tumores malignos das fossas nasais e/ou dos seios paranasais podem ser classificados como doenças
relacionadas ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, sendo o trabalho considerado como fator de risco,
na etiologia multicausal desses tumores malignos.


Wednesday, August 27, 2014

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Definição da Doença

Neoplasia maligna da cavidade nasal - Definição da Doença

7.6.4 NEOPLASIA MALIGNA DA CAVIDADE NASAL E DOS SEIOS PARANASAIS CID-10 C30- e C31.-

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
Tumores que acometem a fossa nasal e os seios paranasais devem ser diferenciados dos tumores limitados
à fossa nasal e dos que surgem a partir dos seios paranasais. Cerca de 60% destes tumores malignos são encontrados
nos seios maxilares; 20% na fossa nasal; 15% nos seios etmoidais; 4% no vestíbulo nasal e 1% no seio frontal ou
esfenoidal. Aproximadamente 80% dos tumores malignos dessa região desenvolvem-se na superfície mucosa e 54%,
a maioria, são carcinomas de células escamosas. Podem, também, ocorrer carcinomas anaplásticos (17%), carcinomas
de células transicionais (7%), adenocarcinomas (6%), melanomas (5%), linfomas (6%) e outros.


Tuesday, August 26, 2014

Proibição do inseticida DDT

Proibição do inseticida DDT

A Lei Federal n.º 7.802/1989 e algumas leis estaduais e municipais
proíbem a utilização de agrotóxicos organoclorados,
neles incluídos o inseticida DDT (dicloro-difenil-tricloroetano), não devendo, portanto,
ser autorizada sua fabricação, comercialização e utilização.
A exposição às radiações ionizantes deve ser limitada por meio de controle rigoroso das
fontes de radiação, tanto em ambientes industriais como em serviços de saúde. Sobre os procedimentos específicos
para a vigilância em saúde dos expostos às radiações ionizantes ver, neste capítulo, o protocolo Neoplasia maligna dos
ossos e cartilagens articulares dos membros.
Recomenda-se a verificação da adequação e adoção, pelo empregador, das medidas de controle dos
fatores de risco ocupacionais e de promoção da saúde identificadas no PPRA (NR 9) e no PCMSO (NR 7), além de
outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes nos estados e municípios.
O exame médico periódico objetiva a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce de casos.
Além do exame clínico cuidadoso, recomenda-se a utilização de instrumentos padronizados e a realização de exames
complementares, adequados ao fator de risco identificado, entre eles o hemograma completo. Medidas de promoção
da saúde e controle do tabagismo também devem ser implementadas.
Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:
- informar ao trabalhador;
- examinar os expostos, visando a identificar outros casos;
- notificar o caso aos sistemas de informação existentes do SUS, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
- providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social,
conforme descrito no capítulo 5;
- orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou
controle dos fatores de risco.





Monday, August 25, 2014

Neoplasia maligna do pâncreas - Prevenção

Neoplasia maligna do pâncreas - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção da neoplasia maligna do pâncreas relacionada ao trabalho baseia-se nos procedimentos de vigilância
dos ambientes, das condições de trabalho e dos efeitos ou danos para a saúde, descritos na introdução deste capítulo.
O controle da exposição ocupacional às radiações ionizantes, ao DDT e aos óleos minerais (óleos solúveis),
principalmente na indústria mecânico-metalúrgica, pode reduzir a incidência da doença nos grupos de risco. As medidas
de controle ambiental visam à eliminação da exposição e ao controle dos níveis de concentração dos agentes próximos
de zero, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;
- normas de higiene e segurança rigorosas; sistemas de ventilação exaustora local e de ventilação geral
adequados e eficientes; monitoramento sistemático das concentrações dos agentes no ar ambiente;
- mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o
tempo de exposição;
- medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho e facilidades para higiene pessoal, recursos para
banhos, lavagem das mãos, braços, rosto, troca de vestuário, sanitários limpos e de fácil acesso;
- fornecimento de equipamentos de proteção individual adequados, como máscaras protetoras
respiratórias e outros, de modo complementar às medidas de proteção coletiva.
Nas indústrias mecânico-metalúrgicas e outros processos com exposição a óleos recomenda-se dotar as
máquinas e equipamentos de anteparos para evitar que respingos de óleos de corte atinjam a pele dos trabalhadores.


Sunday, August 24, 2014

Neoplasia maligna do pâncreas - Tratamento

Neoplasia maligna do pâncreas - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
Estão indicadas cirurgia, radioterapia e quimioterapia, com resultados desencorajadores. O prognóstico é
sempre mau, sendo levemente influenciado pela localização. Os pacientes com câncer confinado à cabeça do pâncreas
apresentam um prognóstico relativamente melhor do que os que o têm localizado em outras áreas do pâncreas. Quanto
ao grau histológico, as lesões de alto grau de malignidade estão associadas a uma sobrevida de 3 meses e os tumores
de baixo grau de malignidade histológica correspondem a uma sobrevida de cerca de 6 meses. A sobrevida média é de
6 meses, na presença apenas de extensão local, e de 2 meses, na doença metastática para outros órgãos. A letalidade
excede a 80% no primeiro ano e não mais de 1% dos pacientes alcança 5 anos de sobrevida.


Saturday, August 23, 2014

Neoplasia maligna do pâncreas - Quadro clínico e diagnóstico

Neoplasia maligna do pâncreas - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
O câncer da cauda do pâncreas pode ser assintomático por tempo relativamente longo, uma vez que não
afeta estruturas vizinhas. O sítio do tumor primário freqüentemente só é descoberto após evidências de metástases a
distância. Dor abdominal noturna, que tende a piorar progressivamente, é o sintoma mais comum do câncer de pâncreas.
Pode ser aliviada com analgésicos ou, ao assumir a posição antálgica sentada, com o tronco reclinado para a frente.
Pode estar associada à icterícia, perda ponderal, sangramento intestinal, comumente associado aos tumores da cabeça
do pâncreas e da ampola, sendo raros em outros tumores. Esteatorréia e diabetes mellitus, quando surgem em idosos,
associados à perda ponderal progressiva, devem alertar para a possibilidade de câncer de pâncreas. Hepatomegalia e
presença de massa abdominal surgem tardiamente no curso da doença.
A investigação diagnóstica para avaliar a extensão da doença e a existência de metástases, que
desaconselham uma cirurgia com fins curativos, inclui a realização de hemograma, provas de função hepática, cintilografia
hepática, cintilografia óssea, radiografias contrastadas (seriografias) do trato gastrintestinal superior (buscando obstrução
ou deformidade pilórica ou duodenal) e biópsias de massas suspeitas de serem metastáticas.
Os resultados terapêuticos, uma vez comprovado histopatologicamente o câncer de pâncreas, são pobres.
A propedêutica é cara, pode aumentar a morbidade e não altera o prognóstico para esse tumor. A tomografia
computadorizada do abdômen detecta 90% dos casos de câncer de pâncreas. A endoscopia é útil no carcinoma da
ampola de Vater, uma lesão potencialmente curável. A colangiopancreatografia endoscópica é um método preciso em
90 a 95% dos casos, especialmente se o tumor estiver localizado na cabeça do pâncreas e se combinado com outros
estudos diagnósticos. A avaliação citológica pode melhorar a sensibilidade. Os testes de função pancreática não são
mais considerados úteis no diagnóstico.


Friday, August 22, 2014

Neoplasia maligna do pâncreas - Epidemiologia e Fatores de risco

Neoplasia maligna do pâncreas - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
As causas do câncer de pâncreas são desconhecidas, porém sua ocorrência diferenciada em determinados
grupos humanos permite que se identifiquem alguns fatores de risco, entre os quais destaca-se o tabagismo. Estima-
se que esse fator pese cerca de 50% na etiologia do câncer de pâncreas. O etilismo e a pancreatite estão visivelmente
associados a este tumor maligno, assim como a pancreatite recidivante hereditária. O diabetes mellitus parece ser um
fator de risco em alguns casos, mas ainda não está claro se isso é verdadeiro, uma vez que o câncer de pâncreas
também pode causar diabetes, em pacientes idosos. Regimes alimentares contendo altos teores de gordura animal,
especialmente em carnes, têm sido referidos como fator de risco para o câncer de pâncreas, assim como o excesso de
café e a hipovitaminose A.
A etiologia ocupacional do câncer de pâncreas tem sido investigada, com resultados pouco claros, até o
momento.
Cerca de 24 produtos ou substâncias químicas, utilizados ou produzidos em ambientes
de trabalho, em cerca de 14 ramos de atividade e/ou profissões,
já foram relacionados com a produção e excesso de incidência e/ou de
mortalidade por esse tipo de tumor maligno. Porém, poucos trabalhos são metodologicamente consistentes. Entre
estes, destacam-se os estudos com trabalhadores da indústria química, expostos ao DDT (dicloro-difenil-tricloroetano),
entre os quais foi relatado um risco relativo de 5. Trabalhadores da indústria mecânico-metalúrgica e indústria
automobilística, expostos a óleos minerais (óleos solúveis), também se mostram mais suscetíveis ao câncer de pâncreas,
em vários estudos bem conduzidos do ponto de vista metodológico. Como ocorre com muitas outras localizações, as
radiações ionizantes produzidas em ambientes de trabalho estão associadas ao câncer de pâncreas, em grupos de
risco que incluem os radiologistas.
O câncer de pâncreas pode ser classificado como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da
Classificação de Schilling, sendo o trabalho considerado como fator de risco, no conjunto de fatores de risco associados
com a etiologia multicausal desse tumor.


Thursday, August 21, 2014

Neoplasia maligna do pâncreas - Definição da Doença

Neoplasia maligna do pâncreas - Definição da Doença

7.6.3 NEOPLASIA MALIGNA DO PÂNCREAS CID-10 C25.-

1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA – DESCRIÇÃO
As neoplasias malignas do pâncreas relacionadas ao trabalho abrangem os acometimentos do pâncreas
exócrino, essencialmente carcinomas tipo adenocarcinoma, que se localizam na cabeça do pâncreas em 60% dos
casos; no corpo, entre 15 a 20%; na cauda, em 5% dos casos; os difusos ou espalhados, de altíssima malignidade, em
20%; e os do pâncreas endócrino, mais raros.


Wednesday, August 20, 2014

Limite de exposição permitido para o monômero cloreto de vinila

Limite de exposição permitido para o monômero cloreto de vinila

A Occupational Safety and Health Administration (OSHA) estabelece o
limite de exposição permitido (LEP ou PEL) para o monômero cloreto de vinila em 1 ppm (5 ppm para 15 minutos).
O National Institute for Occupational
Safety and Health (NIOSH), ao incluir o cloreto de vinila entre as substâncias cancerígenas, recomenda que a exposição
seja a mais baixa possível. O limite de exposição (TLV-TWA) para o cloreto de vinila, proposto pela American Conference
of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), é de 1 ppm, com a notação de ser cancerígeno, classificado como A1,
ou seja, carcinógeno humano confirmado.

No Brasil, a NR 15 ainda mantém o LT de 156 ppm ou 398 mg/m3
de cloreto de vinila no ar ambiente, em
evidente contradição com os parâmetros atualmente recomendados pela OSHA, pelo NIOSH e pela própria OIT. É
urgente que esse parâmetro seja atualizado tanto em regulamentos federais quanto nos regulamentos estaduais ou
municipais.
Recomenda-se a verificação da adequação e adoção, pelo empregador, das medidas de controle dos
fatores de risco ocupacionais e de promoção da saúde identificadas no PPRA (NR 9) e no PCMSO (NR 7), além de
outros regulamentos – sanitários e ambientais – existentes nos estados e municípios.
O exame médico periódico visa à identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença.
Recomenda-se a utilização de procedimentos padronizados e a realização de provas de função hepática, com dosagem
das transaminases séricas (TGO e TGP), desidrogenase lática (DHL), fosfatase alcalina (FA) e gama-glutamil-transferase
(GGT), na admissão, anualmente, no desligamento e na cessação da exposição do trabalhador. Ainda que esse
procedimento não reduza a incidência do angiossarcoma hepático, pode contribuir para sua detecção em estágios
mais iniciais, aumentando, portanto, a possibilidade de maior sobrevida.
Os casos detectados devem ser notificados. Pela gravidade e raridade, o encontro de caso de angiossarcoma
hepático em indivíduo exposto a cloreto de vinila deve ser considerado como evento sentinela.
Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:
- informar ao trabalhador;
- examinar os expostos, visando a identificar outros casos;
- notificar o caso aos sistemas de informação existentes no SUS, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
- providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social,
conforme descrito no capítulo 5;
- orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou
controle dos fatores de risco.





Tuesday, August 19, 2014

Angiossarcoma do fígado - Prevenção

Angiossarcoma do fígado - Prevenção

5 PREVENÇÃO
A prevenção do angiossarcoma do fígado relacionado ao trabalho baseia-se nos procedimentos de vigilância
dos ambientes e condições de trabalho e dos efeitos ou danos para a saúde, descritos na introdução deste capítulo. A
eliminação ou controle da exposição ao cloreto de vinila é fundamental para a redução da incidência da doença nos
grupos ocupacionais sob risco.
Devem ser observadas as determinações da Convenção/OIT n.º 139/1974:
- procurar, de todas as formas, substituir as substâncias e os agentes cancerígenos por outros não-
cancerígenos ou menos nocivos;
- reduzir o número de trabalhadores expostos, a duração e os níveis de exposição ao mínimo compatível
com a segurança;
- prescrever medidas de proteção;
- estabelecer sistema apropriado de registro;
- informar aos trabalhadores sobre os riscos e medidas a serem aplicadas;
- garantir a realização dos exames médicos necessários para avaliar os efeitos da exposição.
As medidas de controle ambiental visam à eliminação ou à redução da exposição a níveis próximos de zero
ou dentro dos limites estabelecidos, por meio de:
- enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;
- uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria;
- adoção de normas de higiene e segurança rigorosas com sistemas de ventilação exaustora adequados
e eficientes, monitoramento sistemático das concentrações da substância no ar ambiente;
- mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o
tempo de exposição;
- medidas de limpeza geral dos ambientes de trabalho, de higiene pessoal, recursos para banhos, lavagem
das mãos, braços, rosto e troca de vestuário;
- fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, em bom estado
de conservação, nos casos indicados, de modo complementar às medidas de proteção coletiva.


Monday, August 18, 2014

Angiossarcoma do fígado - Tratamento

Angiossarcoma do fígado - Tratamento

4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
O tumor é de alta malignidade. O tratamento cirúrgico (lobectomia),
mesmo em pacientes selecionados, tem mau prognóstico.
O tumor responde pouco à radioterapia e quimioterapia.
A sobrevida média de portadores de angiossarcoma hepático é de cerca de cinco meses.
Muitos pacientes morrem ainda na internação hospitalar, por ocasião do diagnóstico.
Os pacientes que apresentam tumores localizados sobrevivem mais tempo.


Sunday, August 17, 2014

Angiossarcoma do fígado - Quadro clínico e diagnóstico

Angiossarcoma do fígado - Quadro clínico e diagnóstico

3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
O quadro clínico caracteriza-se por dor abdominal, massa palpável no quadrante superior direito,
sensibilidade dolorosa no hipocôndrio direito, perda ponderal e ascite. A natureza altamente vascular do angiossarcoma
hepático pode provocar hemorragia peritoneal maciça. Podem ser observados, simultaneamente, deterioração da
função hepática, icterícia obstrutiva com prurido, discreta colecistite, episódios repetidos de hepatite ou sinais de
doença metastática. A maioria dos pacientes morre devido à insuficiência hepática ou em decorrência da hemorragia
maciça no interior do tumor.
O diagnóstico de angiossarcoma hepático é baseado na história clínica. Nos estágios mais avançados, o
exame físico pode contribuir.

Nos exames laboratoriais, a alfafetoproteína encontra-se elevada em 30 a 50% dos casos, porém não é
patognomônica, visto que este marcador também se eleva em outros tumores.
As provas de função hepática encontram-se geralmente alteradas, especialmente a fosfatase
alcalina (90% dos casos). A TGO e a LDH estão elevadas em mais
de 2/3 dos casos, porém a TGP geralmente está normal.
Os pacientes cirróticos apresentam uma elevação crônica dos níveis de transaminases,
que podem sofrer uma queda quando o tumor se desenvolve.
A cintilografia hepática mostra
resultados difíceis de interpretar, porém é útil em pacientes com tumores solitários precoces.
A angiografia seletiva da artéria hepática permite fazer o diagnóstico diferencial.
A biópsia hepática é definitiva no diagnóstico. No nódulo solitário,
evidenciado na cintilografia hepática, deve-se realizar uma angiografia antes da biópsia,
para excluir a possibilidade de hemangioma ou outras lesões altamente vascularizadas.
As biópsias de lesões vasculares devem ser realizadas por meio de laparoscopia ou laparotomia,
para minimizar os riscos de hemorragia. Na presença de nódulos múltiplos na
cintilografia, a biópsia pode ser executada percutaneamente.


Saturday, August 16, 2014

Angiossarcoma do fígado - Epidemiologia e Fatores de risco

Angiossarcoma do fígado - Epidemiologia e Fatores de risco

2 EPIDEMIOLOGIA – FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
A etiologia do angiossarcoma hepático ainda é pouco conhecida.
O risco de sua ocorrência aumenta em pessoas expostas a arsênico, esteróides anabólicos,
dióxido de tório (Thorotrast) e ao monômero cloreto de vinila.
O fator de risco de natureza ocupacional mais bem documentado, a partir de 1974,
é a exposição ocupacional ao cloreto de vinila, substância volátil utilizada na polimerização,
que resulta no cloreto de polivinila (PVC). Está presente nas fábricas de cloreto de vinila
ou na produção do PVC (polímero), onde há risco de exposição ao cloreto de vinila
monômero (VCM). A observação não se aplica a indústrias de artefatos de plástico,
onde o PVC é matéria-prima, sólido em grânulos e não há manuseio do VCM.
Por outro lado, se o PVC sofre pirólise em alta temperatura, o VCM pode ser
encontrado nos fumos de termodegradação em quantidades ínfimas, com risco diminuto.
Estudos realizados em fábricas de VCM e PVC demonstram riscos relativos e odds ratios
entre 4 e 8 vezes, com elevado intervalo de confiança.
A IARC classifica o cloreto de vinila no Grupo 1, ou seja, existe evidência suficiente
sobre a carcinogenicidade humana.
Entre os expostos, no mesmo ramo de atividade, também se observa a presença
de outras doenças relacionadas ao trabalho, como a acrosteólise (degeneração dos ossos das falanges terminais),
a síndrome de Raynaud,
o escleroderma, a trombocitopenia e as alterações da função hepática.
O angiossarcoma hepático deve ser classificado como doença relacionada ao trabalho,
do Grupo II da Classificação de Schilling, uma vez que o trabalho pode ser considerado
como fator de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia multicausal
deste tumor.